Initial silence

we can only hear the words since a few millennia now.



The first sound was violent

inaudible in the void where the cosmos was born

followed by the first cell's reproduction whisper

the primate' squeal

the man' speaking

the writing



philosophical regeneration of the mystery.



Necessarily God

doubts spill down stained glasses in the aisles and chapels of the temple

where the evolution fears are exorcised.



The Internet navigator

continues perplexed

with one hand in the chest and the other in the memory

digitizes sounds

towards God.



In the space

the stunned code of the initial silence expands.

Silêncio inicial

só há milénios se ouvem as palavras.



O primeiro som foi violento

inaudível no vazio onde se gerou o cosmos



depois o sussurro na reprodução das primeiras células

o guincho dos primatas

a fala do homem

a escrita



filosófica regeneração do mistério.



Necessariamente Deus

pelos vitrais derramam-se dúvidas nas naves e capelas do templo onde se

exorcizam os medos da evolução.



O navegante da Internet

continua perplexo

com uma mão no peito e outra na memória

digitaliza sons

em direcção a Deus.



No espaço

expande-se aturdido o código do silêncio inicial.


by Armando TABORDA, in "PALAVRAS QUE AS MARÉS APAGAM", Editora Escola de Mar, 2014

(1st edition, 2015; 2nd edition, 2017)