Quando jovem imaginava a China um País mágico, cheio de pagodes de telhados dourados e pontas viradas ao céu…

Imaginava as ruas das suas cidades fervilhando de gente exótica trajando roupagens coloridas…

Imaginava ricos mandarins a serem transportados em liteiras ou em riquexós puxados por criados de longos rabichos…

Imaginava casas feitas de tijolo escuro ornadas por coloridas lanternas…e as lojas com seus letreiros multicolores cheios daqueles símbolos, que são a escrita chinesa…

Enfim, era transportado à China dos tempos imperiais onde a riqueza de cada um era demonstrada pelos ricos trajes de deslumbrantes e coloridas sedas e ornados por estranhos chapéus e por grandes cortejos de criados que anunciavam a passagem do seu senhor com pendões e bandeiras e tocando estridentes instrumentos… Por certo não estaria muito errado, pois a isso me levava o pensamento ao devorar as narrativas do autor que mais me seduziu ler na juventude – Emílio Salgari.

Passadas algumas décadas tive a oportunidade de pela primeira vez visitar a China… Estávamos em 1998 e a China emergia das primeiras reformas introduzidas pelo Presidente Deng Xiao Ping…Os chineses mais expeditos e com melhores oportunidades começavam a enriquecer… Os conturbados anos da Revolução Cultural eram já do passado…

E que China fui eu encontrar?

Bem, uma autêntica surpresa…É verdade que Pequim continuava a ter aquele ar de Capital Imperial com inúmeros vestígios do passado, como por exemplo: as suas inúmeras Portas (no passado integradas na muralha que cercava e defendia a cidade), o Templo do Céu e a Cidade Proibida. Mas também do passado recente as grandes e largas avenidas ladeadas de enormes edifícios governamentais de influência moscovita e nas traseiras os edifícios cinzentos de minúsculos apartamentos onde viviam os funcionários…Não esquecer que o Governo(leia-se Partido) era o dominador e o único empregador!

No entanto chegado à Chang’na Jie e suas transversais fiquei boquiaberto com a modernidade dos seus edifícios: blocos de escritórios, centros comerciais, hotéis de 4 e 5 estrelas, hospitais, sedes de multinacionais e bancos, etc., etc…

Afinal Pequim já não tinha assim tantos pagodes, tinha sim inúmeros arranha-céus com elegantes cúpulas… Qual delas a mais fascinante ou arrojada?

(ver álbum de fotos – “Cúpulas de Pequim”)

 Quando no ano seguinte (1999) tive a oportunidade de visitar Shanghai então foi arrepiante…A sucessão de enormes edifícios, com as suas cúpulas a quererem arranhar o céu, é avassalador… É uma cidade extremamente condensada com um emaranhado de ruas e avenidas e algumas estradas de 3 e quatro níveis, sem as quais era impossível o trânsito fluir... Mas, para além de tudo isto é uma cidade onde é gostoso viver (pelo menos por curtos períodos !...) até porque ainda contém áreas arejadas e com construção menos densa, diríamos até romântica, com alamedas, parques e jardins e esplanadas de café… No entanto as reminiscências do passado imperial não são tão evidentes e fáceis de encontrar…Encontraremos sim relíquias dos anos deslumbrantes da Shanghai das décadas anteriores à Segunda Guerra Mundial e invasão japonesa, altura em que sofreu forte influência do colonialismo europeu, em especial dos Ingleses e Alemães…e para isso bastará ir até ao Bund ali ao lado do Rio Huangpu onde a sucessão de edifícios daquela época se destacam e onde poderemos encontrar o Peace Hotel, o hotel mais carismático e antigo da China… onde Chang Kai-Chek contraiu matrimónio…e onde ainda há pouco nos podíamos deliciar a ouvir os "swing" e outros sons dessa época interpretados por uma velha orquestra...

Mas, se olharmos para a outra margem do rio deparamo-nos com a moderna Pudong, com belos e deslumbrantes edifícios, onde se destacam a Torre da Televisão e o edifício mais alto da China - a Torre JinMei…no momento o 2º mais alto do Mundo!

(ver álbum de fotos – “...a fascinante Shangai”

Mas, voltando ao meu imaginário da juventude e não querendo perder o raciocínio daquilo que vos queria reportar, a afirmação de que é ainda em Pequim onde melhor me sinto e onde ainda encontro aquela tal China, que imagino do passado… ao percorrer as suas ruas, ao espreitar os seus “hutong”(bairros antigos), ao frequentar os seus pequenos restaurantes para comer “dumpling” ou a fumegante sopa de massas ou simplesmente beberricar uma chávena de Lu Cha (chá verde) ou TiKuanYin (o que mais aprecio!...). Ou ao visitar os “kioskes” para comprar “cloisonés”, sedas ou pinturas em papel de arroz ou os seus mercados de rua na busca de antiguidades e velharias…É mágico…É mesmo muito bom revisitar Pequim ou Beijing, como dizem os Chineses!

 

E com isto não quer dizer que eu não conheça outras paragens. Felizmente já calcorreei um pouco da grande China. Para além de todas as províncias da beira-mar, desde Tianjing até Macau, incluindo: Hebei, Shandong, Jiangsu, Shanghai, Zhejiang, Fujian e Guangdong, as do interior como Henan, Hubei, a inóspita Heliojiang e a distante Sichuan… Em todas elas sempre encontrei algo de novo, especialmente no que respeita a gastronomia, que como sabemos é a mais diversificada do Mundo… mas de facto regressar a Pequim é mágico e não me canso de por lá estar…

Até breve Beijing!