Às Cegas


-- como se imaginado... mais não fosse
mas tão real, tornado
assim, permanecesse --


na irresoluta determinação dos meus dizeres,
e silêncios, agora
qual amor, compreensão... se não define
senão pelo que é vivido, e tão experimental

- íntegro e verdadeiro, completa -

pelo que precisa ser, e ter sentido real


[sob vida, o encontro - o que compreender? -


e já moldados, meus lábios
dos teus pintados
arrebol... como um insight disléxico
(sob-revisto)
submissos, porém... a um fim urge, saber-se
vê-los diligentes
como cada emoção, quando rebate
sob me deter, atenciosamente

--

na lúdica expansão de quem sou,
e por quem sou
se não mais pelo que sinto, compreensivelmente
reavivar o que importante existe, para mim
ganhando disso mais da força que há,
em acreditar como algo, verdadeiramente, indissociável e intenso...

eis-me chegado à conclusão
qual solução resolvida
é trato e cura no mesmo instante... -

Ser, por isso... bem mais do que por mim aparente, afectivamente
(bem mais esclarecido),
redescobrir-me em cada sinal e gesto...
pelo que fosse e seja, sem mais delonga

que outra realidade, minha, assegurar-me-ia isso
me convence e envaidece... e que simbologia
Ela tornaria possível meu entendimento
trazendo novas à luz do meu dia - tomá-la como minha -
a ideia indiscreta, sob Ela me decifrar?

na poção silenciosa de que provêm o olhar sedutor e o toque subtil,
a ciência não se faz esperar
quase quase explica tudo...
e qual outro sentido dá valor por valor às sensações
às loucas razões de fabricar, às vontades mergulhadas... de viver tudo isso?

- e o que traz isso de tão único... real e/ou onírico, em que me veja(?) -


ainda, assim, mesmo que não vista quaisquer magia
ou feitiçarias no ar,
cuja seda colorida cobre nua toda a sabedoria
aonde tal ilusão reincidente acontece
assim, a paixão e o amor como sentença, valha-nos sentir isso

de quantos encantos, de que se abrem as pétalas da flor
mil votos para uma vida não se bastariam
a esperança de ver nascer um dia de novo, pela beleza que tem e tiver(?)

pairar sobre os factos qual ânsia por ter, não ter confere
ordem e dimensão a todo o universo
a imensidão em que tudo isso é um feito declarado - eleitos

a noção disso ser tão breve
como a borboleta à brisa da tarde [se] inebriando
pelo olhar pela várzea pelo tempo...
dentre tantos mistérios profundos - advogando
incluir seu regresso a casa, já a noite cair...
como algo rebatido, a absolvesse

ah! quanta alegria há, por isso...
fazê-la viver pelos campos, sobre um fio dos teus dias
não te parares para pensar

--

placidamente, sob partilha, a infusão cai de leve
ganhando um sabor indescritível,
sobre que transparece
como acto cristalino...
gosto novo, um olhar de gente
contanto, um véu sobre o mar nada esconde

já a simplicidade de um momento
comporta o pequeno gesto
a vida é a arte em cada ser, gente, coisa, detalhe e lugar
um dilema de tudo e tanto...
dentre o que houver
por amor, compreensão... a vida dá, o que viver?


[quão desnuda a cegues traz o fruto mesclado de sensibilidades


mas nisso tudo, vem sempre, célebre esta sensação
e/terna, então, do beijo... como um elementar, ou passarinho gorjeando
cantando suas monções, prosperamente
de ares arreigado, num politicamente, correcto

pelos seus voos de emaranhar, levar-me... para te sentir mais perto



-- raio de luz na Luz do amanhã,
tão certo, tão lindo e precioso
brota e iluminará...
como plêiades bailando em meus olhos - no brilho do teu olhar --




-- Dedicado a Solange --

[Antero Guedes]