e agora? agora nao sabes. o mundo cai, tu sentes o seu peso nas tuas costas. já nao vês a linha do horizonte e sabes que o fim se aproxima. nao vale de nada, de nada te vale essa tua vontade e por mais que tentes, olhes para o pássaro que te sussurrou ao ouvido, sabes que nao dá, sabes que o teu passado te persegue, nao podes sequer fugir. nao valem a pena as conversas, nao vale a pena que me olhes por dentro, nao vale já a pena que me tentes fazer um gesto simples. o que era, já nao é e o que foi, nao mais será. desde o inicio, perguntas te e perguntas de novo: e agora? agora é tarde, é tempo perdido, es tu ali e eu aqui. eu sei, querias voltar atrás. eu posso fazer de ti aquilo que nunca foste e libertar te daquilo que nao queres ser mas voltar atrás, nao posso. os teus males foram perdoados, a admiraçao que te tinha, apagada. sinto falta, sabes bem e a falta é a ausência daquilo, e aquilo é o tal, e o tal é aquela coisa, e aquela coisa é o amor que tu nao sabes explicar e eu nao faço intençoes de perceber. agora tudo está no lugar, as peças destruídas, o teu coraçao é pedra e o meu areia. nao vais voltar, eu sei que nao vais e tambem nao te vou implorar que o faças. olha em volta só mais uma vez, tudo te parece desmoronar, tudo está preso por um fio, um fio que provém de ti. senta te de uma vez e deixa as lágrimas correrem com a força de um rio, faz saltar de dentro de ti a força que me prometes te, reaviva os abraços que me deste e deixa de vez a angustia que por mim trazes e vai te de vez e para já. e agora? agora voltas ao teu mundo que me dá náuseas e quando realmente te sentires bem, sai, corre para mim, eu espero e sabes que sou paciente. faz de mim o que sempre quiseste ter, luta, luta de uma vez por todas por tudo o que desejas, faz cair a máscara, esconde a lua, traz o mar no bolso, rasga estas palavras e seremos infinitamente nossos, entregues a nós, ao nosso momento e nunca mais seremos perturbados.