PEO – Preparação da Execução de Obras



A proposta para implementação de uma fase a mais no processo de produção de empreendimentos imobiliários proposta por Ana Lúcia Rocha de Souza e Silvio Burratino Melhado surgiu através de pesquisa dos dois engenheiros com empresas francesas e brasileiras e foi tema do Doutorado da engenheira Ana Lúcia. A proposta publicada no Livro PEO – Preparação da Execução de Obras, editado pela Editora O Nome da Rosa, com apoio da CEF (Caixa Econômica Federal) e do CTE (Centro de Tecnologia de Edificações), é fundamental para as empresas da construção civil que buscam alcançar certificações da qualidade.

No estudo de casos existentes em empresas brasileiras, os autores constataram a seguinte situação:
Muitas empresas encomendam os projetos executivos e simplesmente os projetistas de forma isolada elaboram seus respectivos projetos, entregam os mesmo e normalmente saem de campo, às vezes nem sequer se propõem a tirar dúvidas sobre o projeto ou especificações. Todas as decisões são tomadas pelo engenheiro residente, que em alguns casos chega à obra com vários serviços já iniciados. Com esse quadro descrito, passa e imperar a improvisação no canteiro de obras. Normalmente chega-se a isso em nome da redução de custos, encomendando-se projetos executivos em função de preço mais baixo, tenta-se adiar o máximo a presença do engenheiro residente na obra também por questões de economia, por ele estar envolvido em algum projeto em finalização ou até mesmo para redução das despesas administrativas nas primeiras etapas da obra.

A PEO consiste basicamente de etapa intermediária entre projeto e obra. Os autores recomendam que os empreendedores da construção civil comprometam todos os projetistas a trabalharem de forma integrada, seguindo alguns passos básicos descritos a seguir:

· Uma reunião preliminar com todos os envolvidos nos projetos executivos, onde a empresa deixará claro todas as exigências do projeto, as particularidades do projeto, explanará sobre o produto final desejado (empreendimento). Será nomeado um coordenador para a fase de projeto (coordenador da PEO).

· Reuniões de compatibilização dos projetos, onde serão analisadas e corrigidas as interferências entre os projetos, com isso serão evitadas as decisões de improviso na obra. Provavelmente com a compatibilização de projetos, o custo extra que as horas de reunião da PEO implicam seja zerado ou se torne lucro.

· Reunião de entrega dos projetos para o início das obras. Essa reunião serve para esclarecer todas as dúvidas do engenheiro residente, que nesse momento já deve estar designado para a obra. Pode-se também a partir desse ponto envolver o mestre-de-obras e os empreiteiros já escolhidos para a execução de determinados serviços.

É ideal que conste na proposta dos projetistas (projetos executivos) disponibilidade para visitas à obra para esclarecimento de qualquer dúvida que tenha ficado esquecida na PEO. A visita à obra serve também para o projetista ter ideia mais clara da execução de seu projeto, ajudando no processo de melhoria contínua.

Com o início das obras, os autores sugerem que seja nomeada uma Comissão Pró Ativa (CPA) tendo um coordenador que será um agente com a responsabilidade de manter o fluxo de informações da fase de projetos para a fase de execução da obra. Será ele que irá acompanhar de perto a execução dos serviços e principalmente as interfaces necessárias para a transição de cada etapa ou serviço da obra. Como exemplo pode-se citar o serviço de “instalação de contramarco de esquadrias metálicas”, para iniciar o serviço se faz necessário que os vãos das alvenarias estejam bem aprumados e nivelados, de modo a evitar retrabalhos que podem atrasar e onerar os serviços seguintes. Essa transição de serviços que é chamada de interface entre serviços e é uma das maiores responsabilidades do coordenador proativo. A técnica usada para essa finalidade é o autocontrole por parte dos subempreiteiros e encarregados (quando o serviço é executado por funcionários da empresa construtora).

Cabe também à CPA o controle de prazos de execução dos serviços. Em caso de atrasos, é o coordenador que irá propor ajustes no cronograma. Todas as decisões desde a PEO devem estar documentadas e serem de fácil acesso à todos envolvidos no processo (projeto e obra). Ou seja, deve haver um perfeito fluxo de informações em todas as etapas do empreendimento. Toda a informação gerada em uma obra servirá de base para a obra seguinte, montando-se um banco de dados organizado e acessível.

Para muitos empreendedores a implementação de uma etapa a mais na cadeia produtiva da construção civil pode ser vista como onerosa ou até como desperdício de tempo, principalmente em cidades onde a aprovação do Projeto Arquitetônico é mais demorada. Mas os autores apontam como ganhos esperados com a prática da PEO os seguintes itens: melhor resultado de conformidade (projetado e executado); maior integração entre as fases de projeto e execução; garantia da obediência aos procedimentos de execução e controle; revisão e atualização constante dos processos de execução e controle; redução de resserviços após a entrega da obra; evitar desperdícios; aumento considerável de produtividade; melhoria da qualidade da mão de obra, devido ao trabalho proativo do coordenador; facilidade para implantação de rotinas de melhoria contínua na construtora, nas empresas de projetos e serviços dos empreiteiros; e principalmente a valorização da imagem da empresa no mercado.

Bibliografia:

SOUZA, Ana Lúcia Rocha de; MELHADO, Sílvio Burratino. Preparação da execução de obras. São Paulo: O Nome da Rosa, 2003.