Tenho visto o mundo em forma de luzes e cores. Minha formação lógica tem cedido espaço para meu lado criativo. Algumas vezes até registro isso em arquivo digital, compartilhando as melhores fotos em álbuns na internet. Muito raramente, converto para preto-e-branco. Para mim, as cores são o que de mais exuberante a natureza nos oferece. E também as formas femininas, que não canso de apreciar, sobretudo as de minha esposa, por quem tenho muito amor e pouco ciúme.

Já deixei de ir a festa com traje a rigor, exatamente pelo rigor do traje. Prefiro usar uma calça camuflada, ou mesmo um jeans, com no máximo uma camisa polo. Gosto mesmo de mato, mar, campo, montanha e praia agreste. Confesso ter certo fascínio pela cidade grande, mas quando estou numa delas fico procurando algo que remeta à natureza. Já pedi aos meus amigos para que, no dia em que me virem andando num carro muito baixo, e com som alto, que metam o jipe por cima, pois com certeza eu estaria fora de mim.

Há muito pouco tempo, as crianças e os adolescentes passaram a me chamar de tio, mesmo eu não tendo sobrinho por parte de meu meio irmão. Para minha mãe, sou filho único, mesmo tendo sido criado e educado com um irmão adotivo, que, após o serviço militar, preferiu a vida longe da família.

Já fui tímido, mas o gosto por fazer novas amizades abafou a timidez. Hoje tenho bons amigos em vários lugares do Brasil. Pretendo continuar amigo de todos os meus amigos, e fazendo outros.

Não sei se moro em São Paulo, onde estou agora, por motivos familiares, ou em Porto Seguro, onde tenho minha casa. Aqui, trata-se de uma questão de necessidade, e lá é onde eu gostaria de estar. Como hoje preciso estar aqui, tento fazer desta permanência forçada na metrópole um período agradável. Não será dolorido nem sacrificante. Já aprendi a lidar com situações desse tipo.

Já houve criança que me perguntou se enxergo tudo azul, por causa da cor de meus olhos. Também houve exagerado que me chamou de gordo. Claro, tenho alguns quilos a mais. Sei disso, e quero perder o excesso. Mas nada que me tire o fôlego em minhas caminhadas no mato, atrás de cachoeiras, flores, bichos e paisagens. Apesar desses quilos a mais, não me sinto gordo. Tenho a impressão de que essa sobra reforça minha aparência de “príncipe dinamarquês”, como diria o Falabella.