um epitáfio no Cemitério da Consolação, em São Paulo.

“NOS REENCONTRAREMOS
COMO NAQUELE SETEMBRO ANTIGO
TU SEDUTOR CADETE
EU NO MEU JOVEM FASCÍNIO
E SOBRE AS NUVENS
DANÇAREMOS NOSSOS BOLEROS...”

O amor que aconteceu entre os dois, não é do tipo que se procura, é do tipo que acontece. Não é amor para quem não sabe amar, é para quem quer mais amar do que ser amado. É amor que supera distância e outros obstáculos físicos, amor que não tem ciúmes, é amor verdadeiro e eterno. É amor que jamais deixou de acontecer, e que continua acontecendo, apesar dos duros golpes que a vida costuma aplicar nas pessoas. É amor sem medo de receber golpe nenhum.

Não se sabe se o sedutor cadete acabou se transformando num próspero homem de negócios, ou continuou servindo à pátria. Mas de que interessa isso, só interessa mesmo o amor que aqueles dois corações sentiram e sentem, nem o tempo que durou esse amor interessa, nem os frutos que esse amor por ventura ou aventura tenha gerado, pois se gerou, foi com amor. Suficiente para permanecer vivo até mesmo após a morte, suficiente para transcender a morte.

Por esse belo epitáfio, a gente não consegue ter certeza se eles foram casados, se foram amantes, ou se simplesmente foram namorados por algum tempo e o destino encarregou-se de fazer com que cada um seguisse seu próprio caminho.

Amar pode ser uma arte, mas não se encontram escolas que ensinem a amar, como encontramos de todas as outras artes conhecidas. Mas o amor em relação à arte tem uma grande vantagem: basta ser demonstrado apenas para a pessoa amada, e sem demonstrações públicas de afetos, o amor é percebido por todos, não precisa estar implícito em atos ou palavras, ele aparece.

No epitáfio, não aparece a palavra amor, mas o amor está ali junto de todas aquelas palavras, em toda aquela pedra, em todo aquele jazigo. Mas o amor não jaz ali, ali só mudou de forma, só por um tempo nesta forma, até eles voltem a dançar os seus boleros sobre as nuvens.