O que fazer quando a demente tristeza em nós se esbate?



O que fazer quando os acordes mutilam os afetos até então jamais conquistados?



O que fazer quando há em nós laços de sangue repudiados?



Durante anos, venerei-a.


Quantas vezes, em criança, a troquei pelos meus pais!... Sentia-me o seu menino, ...um pedaço a si adstrito... Era a minha deusa, a extensão da música que, bem alto, deixava ecoar do HI FI do meu pai (quantas tareias levei!). Se em mim se apoderava a beleza da diferença, nela encontrava-a, não obstante a tenra idade. A sensualidade e os demónios da sedução dela faziam parte.


Contudo, talvez não passasse do seu boneco, ainda que com bem próximos laços de sangue, exposto numa montra qualquer, aos olhos de quem quer que passasse, com cabelos de ouro e os olhos de um azul então odiado.



O que são os laços de sangue?


Fragmentos bíblicos envidados para a coesão social e concomitante harmonia entre aquele bicho homem sempre irracional, quando a ganância de si se apodera? Ou mera extensão biológica, sem qualquer impacto na personalidade quando as pontes de hidrogénio se unem?



Quentes e amargas, soldados da alma percorrem o meu rosto dissociado do tempo, embora ciente da desfragmentação dos sonhos desencontrados. Desconheço a sua direção. Quero acreditar que não evaporar-se-ão.


A ilusão torna-se cada vez mais evidente: percurso que preconiza o abandono e a solidão.


É tempo de algumas das minhas gavetas fechar, sem remorsos ao olhar do anjo cujo rosto ainda procuro.