Impiedosa chegou.
Olhou-o nos olhos: -”Ou fazes o que te digo ou todos na escola saberão que és maluco!”. Ele gelou, impedido de exercer a sua vontade, expressa numa grande estalada. A violência diminuiria a sua razão. Fora-lhe diagnosticada depressão e encontrava-se em tratamento. A ela, alguns meses atrás, o confidenciara. Certo das suas atitudes e dando um tom alegórico ao facto de todos poderem vir a saber da sua doença, não cedeu à chantagem. Teve medo… Mas das palavras dela teceu puras e longas verborreias.



Esta é uma vivência que remonta a 2002/2003. Desde então, pouca tem sido a dignificação das pessoas portadoras de depressão. Contudo, entendo que o importante é partilhar, quebrar tabus e lutar contra preconceitos.
A ti, minha aluna, quando ontem me escreveste ao pretender cessar a tua vida, não esqueças que a esta está repleta de obstáculos e imensas aparências. Não agradeças as palavras que te dediquei: luta para que um dia possas vir a dar a mão a outros irmãos neste mundo de ninguém! Acredita que é muito gratificante.
Abraço-te.