AS CRISES ECONÓMICAS
Os meus avos maternos, Josefina Marques nascida em 17/4/1879 e falecida em 28/1/1962 e Manuel Joaquim Ferreira, nascido em 1877 e falecido 19/01/1962, falavam muitas vezes das situações de crise que tiveram de enfrentar na sua vida de pequenos agricultores que tinham alguns bens herdados pela minha avó de sua mãe. O meu avô era um agricultor de Santiago da Guarda do concelho de Ansião e veio trabalhar para os Soudos onde conheceu minha avó Josefina e com ela se casou gerando 14 filhos dos quais só 4 escaparam da morte em miúdos.

Contava a minha avó que tinha vivido alguns numa casa de sua mãe no centro da aldeia e que essa casa se tornou pequena para a sua família e, que comprou outra casa com boas acomodações e um grande terreno anexo no sítio das quintas que era de um brasileiro que lho vendeu por vinte e sete mil escudos.
Os meus avós teriam nessa altura apenas 20 contos e ficaram com uma dívida de 7 contos para pagar a prazo.
Tinham ficado com muito milho e vinho para vender durante o inverno seguinte, mas veio uma crise medonha e,nesse inverno não conseguiram vender nada, porque de um dia para o outro o dinheiro desapareceu e ninguém tinha dinheiro nem trabalho, como hoje está a acontecer de novo.
Como houve ao mesmo tempo uma grande quebra nos valores dos bens móveis e imóveis os meus avós chegaram a pensar vender tudo o que tinham para assim poderem pagar essa dívida de 7 contos.
Felizmente que com algumas ajudas da família conse-guiram saldar essa divida.
Os meus avós, no resto da sua vida nunca mais compra-ram nada sem primeiro arranjar todo o dinheiro.

Por último quero contar que sempre me senti a viver em crise por variadas razões.
Com a revolução do 25 de Abril perdi quase tudo o que tinha em acções de variadas empresas e, até hoje ainda só recebi uma parte das indemnizações a que tenho direito.

Pensei não mais investir em acções e passei a comprar propriedades e numa delas fiz uma casa de campo.

A crise que me abala presentemente, são os roubos de que tenho sido vítima nessa casa de campo sita na Pinheirinha, Zibreira, de onde me roubaram tudo, incluindo as portas e janelas, as colmeias, os canos de água e torneiras, fogão a gás, frigorífico, esquentador, televisão, etc.

E não vale mais a pena queixar-me na polícia ou no tribunal, pois só me incomodo para no fim me dizerem que nada foi encontrado e encerrar o processo, como já me aconteceu.

Assim, as culpas são da crise, mas os verdadeiros culpados, os maus, ficarão sempre impunes.

Tal vai a crise! Valha-nos Deus!