25 de Maio - Dia Internacional da Criança Desaparecida





O número é alarmante: 1,2 milhões de crianças desaparecem anualmente no mundo. As possibilidades são muitas para os desaparecimento: fuga, rapto, mão de obra barata, escravatura, venda/tráfico de órgãos, adopção ilegal, pedofilia, prostituição.

Ao certo ninguém sabe os números de crianças desaparecidas no mundo devido à natureza clandestina deste crime. E apesar de não haver estatísticas globais, os países vão divulgando anualmente o número de desaparecimentos comunicados às autoridades.

A UNICEF afirma que a maioria das crianças traficadas é oriunda da Ásia e África e destinam-se à prostituição infantil ou são recrutadas para trabalhos forçados em fábricas e quintas. Na Europa, os menores são principalmente traficados do leste para oeste, reflectindo a procura de mão de obra barata. Nos EUA, a maior parte dos 450 mil desaparecimentos de menores comunicados anualmente são, na realidade, fugas e só uma pequena parte das crianças terão sido raptadas.

O fenómeno tem vindo a crescer à escala global, como um negócio cada vez mais lucrativo, ligado a actividades criminosas e à corrupção. Traficar é um abuso sério dos direitos das crianças e é o maior negócio do crime organizado, e em expansão, uma vez que é visto como menos perigoso que o tráfico de drogas, confirma o director Executivo da UNICEF britânica, David Bull.

A AI apela aos governos para retificarem os protocolos internacionais que dizem respeito aos direitos das crianças e sublinha a necessidade da participação dos meios de comunicação e da sociedade na informação e educação das comunidades sobre os perigos do tráfico de crianças.

Números:

Aqui está um pequeno video que contém algumas crianças desaparecidas:

http://www.youtube.com/watch?v=Hz0XnognzAA

- No Togo, uma em cada oito crianças é vendida para o estrangeiro;

- Em 2006 foi comunicado às autoridades o desaparecimento de 2435 crianças desaparecidas na Argentina. Desse número, 127 não foram encontradas pelas autoridades, 32 foram encontradas mortas;

- No Quénia há um número significativamente elevado de crianças que se prostituem. O estudo revela que os clientes são turistas, que viajam à procura de sexo, soldados estrangeiros, homens de negócios mas que também há quenianos entre os clientes;

- Na Guatemala, entre 1978 e 1984, milhares de crianças desapareceram. Muitas foram levadas para campos militares, orfanatos, outros para países vizinhos;



- Em El Salvador, entre 1980 e 1991, centenas de crianças foram assassinadas na sequência de massacres cometidos pelas forças armadas, outras foram levadas depois dos seus pais terem sido assassinados. Algumas dessas crianças foram para orfanatos e outras adoptadas por cidadãos do El Salvador, EUA, França, Alemanha e Reino Unido;

- Em Portugal, no ano de 2006, foram dadas como desaparecidas 1198 crianças e jovens. Em 2007 já foram registados 476 desaparecimentos de crianças. Em Lisboa registaram-se 124 casos, mas 84 já regressaram às famílias. Note-se que nem sempre os desaparecimentos se devem a raptos. Muitos casos referem-se a fugas com amigos que não chegam a durar 24h, por motivos como as notas na escola, festivais, por exemplo. As vítimas que fogem por maus tratos são encontradas muitas vezes a prostituir-se nas ruas da capital e a maioria são rapazes. Desde 2004, data em que entrou em funcionamento a linha SOS Criança, 34 revelaram ser fugas protagonizadas por menores, 22 raptados por familiares e em apenas 8 casos se concluiu tratar-se de raptos por terceiros. Carlos Farinha, coordenador de investigação da Polícia Judiciária, alerta para os riscos da Internet e sublinhou que, em Portugal, há vítimas muito novas, com menos de três anos, e agressores com mais de 70 anos.