Transcrevemos o poema, gentilmente enviado pelo lasista "Elói Pardal (52/53)

P O E M A - R E U N I Õ E S

Mal a noite se torna madrugada, cada qual a seu trabalho vai.
Vão para a Firma
Para a C.ia
Para a S.A.
Para a L.tda
E nos escritórios desaparecem.
Derrama-se em torrente a papelada, mal se entra nesses escritórios.
Procure-se – entre cem – o mais importante!
- Os empregados estão sumidos nas reuniões.
Então, apareço eu e pergunto:
“Quem pode me atender? Estou aqui há não sei quanto tempo”
Respondem:
“O camarada Ivan Ivanovitch está em reunião com o Comissário-Geral do Povo
Para as Questões do Vinho”
Na tal reunião entro como um furacão,
Abrindo caminho com pragas selvagens.
Que vejo! Corpos pela metade, sentados.
Céus! Onde estarão as outras metades?
“Decepados! Assassinados!”
Correndo como um louco, ponho-me a gritar.
Diante de tal quadro fico alucinado.
Ouço, então,
O mais calmo dos funcionários observar:
“Eles estão em duas reuniões ao mesmo tempo.
Há vinte reuniões por dia
- e, às vezes, mais –
Temos que assistir
Por isso somos forçados
A em dois nos dividir!
Uma metade está aqui,
A outra ali”.
Não pude dormir, assombrado.
A luz da manhã me colheu estremunhado.
“Oh! Peço somente uma,
Mais uma reunião,
Para acabar com tantas reuniões!”

MAIAKOVSKI (1893 – 1930)
(In “Os Russos”, de Angelo Segrillo, Editora Contexto, Brasil, págs 53/4)