A VELHA OLIVEIRA
Na berma do caminho de terra batida,
alguém, em tempos idos, plantara uma oliveira

Mais de mil anos passaram e passaram
romanos e celtas em batalhões bem arrumados
e bárbaros sem rei nem lei,
passaram fenícios marinheiros, visigodos
arruaceiros e árabes da música e da ciência.

Era bem velha, a oliveira.
Em cada cicatriz do tronco, em cada raiz curiosa
que emergia aqui e ali da terra materna,
a velha oliveira contava histórias da história
dos homens que por ali passaram.

Mais de mil anos vão passar
e vão passar os homens de hoje e de amanhã,
de aqui e de ali, deste mundo e dos outros.
Novas cicatrizes e outras raízes curiosas
da velha oliveira continuarão a contar histórias
da história dos homens que por ali passam
até que não haja mais homens.