LISBOA
Não sei o que Lisboa tem,
mas sei que tem.

Talvez seja ….
a luz magnífica do mistério crepuscular
que cobre o Pessoa da Brasileira
com heterónimos de Ouro e de Prata

Talvez seja ….
Belém com os seus Jerónimos
ou o poço do Borratém que tem
saudades do harém que era Alegrete.

Será ….
o amarelinho da Bica que amarinha a colina
e repousa no Calhariz de quem, aliás, se diz ser
mais Sobral?

Será ….
o jardim da catedral que tem uma Estrela
e tem um sino que repica
nos telhados do Infante que era santo?

Ou talvez ….
os bairros mouros da Mouraria e de Alfama
que têm fama de Fado, boémio
e malandro, onde a noite não madruga.

Ou talvez ….
o Terreiro que foi do Paço
e que dista um passo do Almada
do Bairro Alto, o mais alto.

Ou ainda …
molhar os pés nas fontes de D. Pedro
que em Portugal era quarto
e no Brasil foi primeiro,
e flanar pela Baixa do Pombal.

E se for ….
pois …., não sei!
Mas sei que passear por Lisboa é bom,
sem tino nem rumo nem pressa!
Pode ser apenas o Tejo e as tágides,
os azulejos de branco e azul real,
ou a trama arrendada das pedras da calçada.
que decoram a história ancestral …
que se desnuda a cada esquina.

Pode ser por isto ou aquilo,
pode ser por tudo ou por nada.
Sim, eu sei que sou suspeito!