As palavras
São como um cristal,
as palavras.
Algumas, um punhal,
um incêndio.
Outras,
orvalho apenas.
Secretas vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam:
barcos ou beijos,
as águas estremecem.
Desamparadas, inocentes,
leves.
Tecidas são de luz
e são a noite.
E mesmo pálidas
verdes paraísos lembram ainda.
Quem as escuta? Quem
as recolhe, assim,
cruéis, desfeitas,
nas suas conchas puras?
Eugénio de Andrade
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Armando Tabordapro says:
enchem-se de vento
no galope
das palavras ditas."
em "Palavras, Músicas e Blasfémias que Envelheço na Cidade", de Armando Taborda
elsa replies:
esse e' um grande livro, com poemas lindissimos...
Krisontèmepro replies:
Posted 9 months ago. ( permalink / translate )
elsa replies: