Este artigo tem por objetivo estabelecer um percurso das relações da poesia com as Artes, o Design e as Novas Tecnologias no momento em que começa a haver uma fusão entre elas, fenômeno que começa a ser notado no final do século XIX, início do século XX (vanguardas) e se define claramente a partir da década de 50 em diante. É dentro desse contexto que surge a poesia eletrônica, poesia digital, poesia-imagem-som-hipermídia-interativa, “nova poesia verbo-áudio-moto-visual” (A. MACHADO, 2000, p. 209), ou tecno-arte-poesia, que vai florescer paralela e simultaneamente com a poesia concreta e a visual, e vai existir essencialmente primeiro em computadores isolados desde 1959 e nas redes digitais a partir de 1995, ano em que se desenvolvem as experimentações poéticas e artísticas na web.
Trata-se, pois, do estudo de
uma migração da poesia para diversos meios e suportes: da página do livro para as salas de exposição, dividindo espaço com as artes visuais; do meio bidimensional da página para o tridimensional das instalações e das esculturas, e do meio impresso, de um modo geral, para o meio eletrônico, assunto central deste estudo. Essa migração compreende algumas transformações que as novas linguagens (artísticas e tecnológicas) influenciam.
Em se tratando de uma poesia que se constrói com palavras, grafismos, imagens estáticas e animadas e sons nos meios digitais, torna-se necessário analisar os procedimentos dessa construção por meio das suas dimensões gráficas, visuais, cinéticas e sonoras, e, também, utilizar uma denominação conceitual para esse tipo de poesia, que é uma continuação das poesias já existentes e que se configura num outro formato, gênero ou tipo: tecno-arte-poesia[1]
A tecno-arte-poesia, poesia eletrônica ou poesia digital só pode ser adequadamente compreendida se tivermos como parâmetros a análise dos procedimentos que essas dimensões mostram: artísticas (visuais, cinéticas e sonoras) e computacionais (meios digitais, hipertextualidade, interatividade, processo colaborativo e hipermidialidade).
Olhar a sua origem e compará-la com a poesia do início do século XX é uma forma de entender um percurso que esses primórdios apontam, mas não o realizam plenamente.
Com base nas relações entre poesia e visualidade, poesia e tecnologia comunicacional e poesia e tecnologia computacional, a seleção de poemas apresenta poucos exemplos do século XIX e da primeira do século XX, pois se concentra na produção compreendida dos anos 1959 até os dias atuais.
Uma estrofe de “O sentimento dum Ocidental”, de Cesário Verde (1855-1886) inicia esta reflexão: é uma síntese mais significativa para mostrar as dimensões gráficas, no campo do Design Gráfico e/ou Digital, visuais (Artes Visuais), cinéticas (Cinema e Vídeo) e sonora (Música, Engenharia e Tecnologia do Som).
Semelham-se a gaiolas, com viveiros,
Se parecen las jaulas con las viviendas
As edificações somente emadeiradas:
Las obras solamente enmaderadas
Como morcegos, ao cair das badaladas,
Como murciélagos cayendo por las campanas
Saltam de viga em viga os mestres carpinteiros
Saltan de viga en viga los maestros carpinteros
(VERDE, 1992, p. 149).
Este é um exemplo em que a palavra se faz “visual” por meio da apresentação de elementos descritivos e comparativos e é também uma leitura de um mundo em construção (segunda metade do século XIX). “É que para a visão de Cesário o mundo é um mundo em transformação e é rigorosamente pelo modo de olhar que o poeta se apercebe dessas transformações” (CASTRO, 2002, p. 10).
A dimensão verbal, adaptada ao modo de versejar do século XIX (rima, métrica e ritmo), trabalha claramente com as dimensões visuais estáticas e dinâmicas, ou seja, “o rigor das percepções visuais modeladas pela luz e pelo movimento das personagens e da própria luz” (idem), usando de procedimentos pictóricos na construção da poesia.
Também do final do século XIX é o poema “Un coup de dés jamais n´abolira le hasard”, de Mallarmé (1842-1898), bastante estudado por poetas, tradutores e teóricos como os Irmãos Campos e Décio Pignatari (MALLARMÉ, 1991).
Para a poesia produzida durante as primeiras décadas do século XX, afirma Abraham Moles que, sem
remontar a Mallarmé, os trabalhos recentes
[2] neste domínio, ligados à
teoria do cartaz e do anúncio publicitário, constituíram toda uma nova escola de poesia: textos para máquina de escrever de Garnier, obras de O. de Campos e de Chamie, o Grupo Práxis de São Paulo, textos para ver de Kriwet, Harig, etc. (1990, p. 184).
Muitos poetas do início do século XX, durante as vanguardas, criaram poemas que são adequados a este enfoque. Grande parte dessa poesia não foi analisada, sob este ângulo, pela crítica literária. A leitura de
O Cartaz (MOLES, 2004) permite entender “Manucure” (SÁ-CARNEIRO, 1995, p. 135-144), escrito em maio de 1915 -
http://www.triplov.com/sa_carneiro/manucure.html[3] -, de Mário de Sá Carneiro (1890-1916), onde há inclusões de textos “móveis”, ou seja, compostos em linhas onduladas, com uma tipografia que difere da que faz parte das palavras do poema, numa incorporação do cartaz e do anúncio publicitários, em circulação nos jornais da época, para o domínio da poesia. Também vale destacar um trecho do poema, no qual ele assume os números como procedimento poético:
Pede uma voz um número ao telefone:
Norte - 2, 0, 5, 7 ...
E no ar eis que se cravam moldes de algarismos:
(SÁ-CARNEIRO, 1995, p. 139)
Guillaume Apollinaire (1880-1918) é um dos poetas que organizam as palavras de modo a produzir imagens, como é o caso de “La colombe poignardée et le jet d´eau” (fig. 1).
O poeta, que fez uma das primeiras apreciações críticas da pintura cubista
[4], decompõe o verso e o modula em imagens, produzindo também seqüências sonoras a cada verso que se torna um “traço” do seu “desenho”: “douces figures poignardées”, “chères levres fléuries”, etc.
Fig. 1 - Apollinaire – La colombe poignardée et le jet d´eau
[5]
(APOLLINAIRE, 2003, p. 79)
O surgimento da máquina de escrever no final do século XIX e o seu uso maciço ensejaram a existência da “typewriter art” (arte da máquina de escrever) a partir da década de 20, como apontou Riddell (1975), e foi considerado um benefício para os negócios e para educação (aprimorou a escrita e a pontuação) e, também para a emancipação da mulher (a profissão de datilógrafa a partir do final do século XIX). Eis algumas considerações de McLuhan:
“A invenção da máquina de escrever deu um enorme impulso ao hábito do ditado (...)” (Robert Lincoln O´Brien apud MCLUHAN, 1995, p. 290).
(...) o verso livre, realmente, foi uma recuperação dos acentos falados e dramáticos da poesia – e a máquina de escrever veio incentivar exatamente essas qualidades. Sentado à máquina de escrever, o poeta, muito à maneira do músico de jazz (MCLUHAN, 1995, p. 292-293)., tem a experiência do desempenho enquanto composição. No mundo não letrado, esta fora a situação do bardo e do menestrel. Ele tinha temas, mas não textos. À máquina de escrever, o poeta comanda os recursos da imprensa e da impressão. A máquina é como um sistema de dirigir-se ao público, imediatamente ao alcance da mão
A exemplificação do teórico canadense é a poesia de e. m. cummings, que fragmenta palavras e as espacializa.
O poema “Infantryman” (Soldado de Infantaria), de
Claus Bremer (Alemanha), de 1968, é um exemplo de “typewriter poetry” e se encontra no livro editado por Riddell (1975, p. 48):
Fig. 2 – Claus Cremer (Alemanha) - Infantryman
A repetição das letras e palavras forma “versos” de diferentes extensões, que produzem a imagem do soldado. Cada linha ou “verso” contém letras e palavras que se repetem e sugerem a repetição dos atos do militar: gebe gebe g, ch ich ich i, euch euch eu, e assim por diante.
Considerando-se a pronúncia característica das palavras em alemão, o leitor pode identificar a sonoridade com ritmos de uma marcha. Os significados das palavras repetidas, completas e incompletas, também podem indicar uma espécie de crítica social e política: gebot (mandamento), ich (eu), euch (pronome vos, em dai-vos), dass (que, para que), einander (um ao outro, mutuamente, reciprocamente), liebt (ele/ela ama), dentre outros. Essas palavras formam a cabeça do soldado e indicam, ou sugerem, um fragmento de pensamento coletivo e de obediência.
Título e poema se formam com palavras que podem ser interpretadas pela imagem, pela sonoridade e pelo movimento que o poema-imagem sugere. Bremer escreveu, no catálogo da exposição Between Poetry and Painting (ICA, 1965)[6], que, ao escrever poemas visuais, ele “está tentando fazer o leitor se tornar um co-autor” (Bremer in ICA, 1965, p. 29, tradução nossa), pois a organização visual dos seus poemas “permite um exame de significado das palavras e das letras. As palavras e as letras se tornam visualmente significantes” (idem)[7].
O poema “Pêndulo”, do livro Ideogramas, de 1962 (CASTRO, 1990, p. 146), aqui representado numa tela que está nas mãos do poeta, é outro exemplo da passagem da poesia impressa (em livros) que se torna uma espécie de tela para ser mostrada numa exposição como arte visual.
Fig. 3 - E. M. de Melo e Castro e o poema “Pêndulo”
Foto de António Preto (PERFORMANCES, 2005/2006, p. 6)
As dimensões visuais do poema indicam um movimento por meio da repetição de palavras que descobrimos com o olhar, que vem antes da leitura das letras e das palavras. Metade do movimento está representado, mas vem-nos à idéia de que a outra parte acabou de passar.
Vale também registrar o escândalo provocado na apresentação desse poema no Teatro Nacional D. Maria II, em Portugal, no ano de 1962, durante um ciclo de conferências e de recitação de poemas de poetas do século XX, organizado por Amélia Rey Colaço. Eis o depoimento do poeta:
A conferência estava a cargo do poeta e crítico Eduíno de Jesus que tinha a tarefa de ir chamando os poetas para a cena. Quando me chamou para entrar eu não apareci, durante meio minuto ou um minuto. Ele começou a ficar nervoso, continuando a chamar-me em voz alta, até que finalmente entrei, levando comigo debaixo do braço três telas de metro quadrado, em serapilheira, sem moldura. (CASTRO apud PERFORMANCES, 2005/2006, p. 6.)
Com o espanto na cara do público, Melo e Castro cumprimenta a audiência e dispõe as três telas à frente da mesa da presidência. Nelas estavam pintadas a tinta preta, branca e vermelha, três poemas visuais, “uma verdadeira novidade”, como conta o poeta. Depois de uns momentos para ver a reação do público, que estava incrédulo, Melo e Castro exclamou num grito estridente (PERFORMANCES, 2005/2006, p.6):
ESTES POEMAS NÃO SÃO PARA LER. SÃO PARA VER! MAS ISSO NÃO QUER DIZER QUE O POETA NÃO TENHA VOZ! (CASTRO apud PERFORMANCES, 2005/2006, p.6)
Aqui há duas questões interessantes: o momento político português (época da censura salazarista) e uma atitude vanguardística da década de 60. Além desses aspectos, fica evidente, nesse poema, a busca de um outro suporte para a poesia, a tela, e a indicação de um ver-ler poesia. A apresentação em si, além da conotação social e política, é outra dimensão artística, a performance poética, que passa a fazer parte do fazer poético
[8].
Ao tratar dos parâmetros da Modernidade (a medida, a pontuação, a imagem, a inovação e o rigor), Castro (1973) estuda a imagem poética como
elemento da construção da obra de arte que o artista usa para objetivar materialmente as suas criações e que tem origem na experiência da percepção do mundo e de si próprio (p. 61).
(...) os materiais com que o poeta compõe o seu poema são pré-existentes como imagens psicológicas, resultando de um fenômeno de redução fenomenológica de apropriação e reconstituição do real imediato, sendo a atividade criadora a formação de padrões ou quadros de combinação ou sucessão entre esses materiais (idem).
Um dos exemplos desse subcapítulo é o poema “Pêndulo”, que o próprio autor explica de forma bastante objetiva:
Aqui o poema tende, de fato, a ser um objeto que a si próprio se mostra. Estabelece-se assim uma ligação direta com a poesia visual e concreta, em que a substantivação de todos os seus elementos é total. Ou melhor: existe uma sintaxe espacial em que os elementos constitutivos do poema se articulam no espaço pelas suas posições relativas nas páginas, como objetos formando um edifício (CASTRO, 1973, p.67).
Outro exemplo das relações entre a poesia e pintura é a exposição Between Poetry and Painting, do ICA - Institute of Contemporary Arts, de Londres, de 22 out. a 27 nov. 1965. No catálogo dessa mostra, Jasia Reichardt afirma “que esse tipo de poesia serve para examinar o que acontece à linguagem por meio de uma apresentação visual, e o que se torna uma imagem abstrata simultaneamente dotada de um significado literário” (Jasia Reichardt in ICA, 1965, p. 9, tradução nossa).
Para Jasia, não há uma “acurada definição dessa forma híbrida de expressão (poesia visual), mas uma coisa, contudo, é muito clara: a poesia visual em suas várias formas constitui o primeiro movimento poético internacional” (idem), mesmo sem existir um manifesto.
A poesia visual é um movimento poético internacional sem manifestos ou princípios poéticos específicos, que vem sendo praticada por uma grande quantidade de poetas em vários países a partir das décadas de 60 e 70. Esses poetas adotam procedimentos semelhantes e, de um modo geral, há aceitação de todo e qualquer participante, mesmo aquele que colabora uma única vez, Além dos recursos tipográficos e tecnológicos (máquina de escrever, letra “set”, cores, outros suportes), há a inclusão de imagens visuais (que podem se tornar também sonoras), que não é exatamente a ilustração do texto, mas uma prática intersemiótica, ou seja, o diálogo dos signos verbais e não verbais.
Depois das experimentações das vanguardas, este é o momento em que poetas e artistas se unem para fazer poesia e nenhum deles está muito preocupado com o limite de cada uma delas.
“Soneto”, de Paulo Miranda, datado de 1975, é uma poesia visual que estabelece comparações interessantes:
Fig. 4 - Paulo Miranda – Soneto (Miranda in KHOURI, 1996, p. 194
A compreensão do poema se faz pelo olhar (dimensão visual) e pela observação das partes (dimensão técnica): a palavra “soneto” (dimensão verbal) ajuda a entender as dimensões em centímetros que a fita métrica apresenta. O uso da imagem estrutural da fita métrica estimula comparações entre a estrutura do soneto e as medidas em centímetros que usamos no cotidiano.
Sem o conhecimento do significado da palavra “soneto”, ou com a ausência dessa palavra, outras interpretações seriam possíveis. Isso permite pensar numa intrínseca relação significativa entre palavra e imagem.
A Arte Postal, criada nos EUA nos anos 60, permitiu que a poesia visual se expandisse, às vezes não sendo possível distinguir uma de outra. O exemplo escolhido é “Sentimentos: um poema feito com o coração”, de Paulo Bruscky, datado de 1978, que o autor denominou de envelopoema, fazendo uma fusão entre arte postal e poesia visual.
O poeta interferiu em imagens da tecnologia médica (trechos do primeiro eletrocardiograma do próprio Paulo Bruscky) para produzir significações que passam pelas dimensões visual e verbal (espécie de título do poema, que se mistura com o próprio poema). O uso de carimbos, referência ao mundo burocrático e automatizado das instituições públicas e privadas, símbolo da repetição, as palavras “envelopoema” e “Um poema feito com o coração”, em cor lilás, acima de uma assinatura e de um carimbo com o nome do poeta, estabelece outras conotações.
Fig. 5 - Paulo Bruscky – Sentimentos: um poema feito com o coração
(Bruscky in ANTONIO, 2005, cd-rom)
O computador ofereceu novas possibilidades de experimentação aos poetas. De início, ele possibilitou o desenvolvimento de projetos que já vinham sendo elaborados, como é o caso da poesia permutacional, que tinha por base uma operação matemática (permutação), "uma combinatória de elementos simples de variedades limitadas, abrindo à percepção a imensidade de um campo de possíveis" (MOLES, 1990, p. 115).
As relações entre literatura e matemática foram exploradas pelo OULIPO – Ouvroir de Littérature Potentielle, grupo criado pelo poeta Raymond Queneau (1906-1976) e pelo matemático François Le Lionnais (1901-1984) em 1960, em Paris. As experiências do grupo incluem manipulações lexicográficas, sintáticas ou prosódicas, e o desenvolvimento de modelos textuais peri-matemáticos: poemas booleanos, contos em desenvolvimento arborescente, estruturas combinatórias, permutações espirais, etc. Trata-se de uma literatura assumidamente formal e experimental, em relação direta com a ciência e a tecnologia. Uma das obras mais representativas desse grupo é Cent Mille Milliards de Poèmes, de Raymond Queneau, de 1961, que contém dez sonetos compostos por versos distribuídos em tiras de papel, uma para cada verso de cada um dos dez sonetos, as quais podem ser combinadas e formar 100 000 000 000 000 (cem trilhões) de sonetos. Claude Berge deu o nome de poesia exponencial, pois "o número de poemas de n versos que se poderia obter é dado pela função exponencial: 10n (Berge in BARBOSA, 1996, p. 160)".
O exemplo escolhido, “Álea 1 Variações Semânticas”, de Haroldo de Campos, datado de 1963, utiliza um conjunto de letras que, combinadas, permitem a produção de 3.628.800 palavras.
ÁLEA 1
VARIAÇÕES SEMÂNTICAS
(uma epicomédia de bolso)
O ADMIRÁVEL o louvável o notável o adorável
o grandioso o fabuloso o fenomenal o colossal
o formidável o assombroso o miraculoso o maravilhoso
o generoso o excelso o portentoso o espaventoso
o espetacular o suntuário o feerífico o feérico
o meritíssimo o venerando o sacratíssimo o sereníssimo
o impoluto o incorrupto o intemerato o intimorato
O ADMERDÁVEL o loucrável o nojável o adourável
o ganglioso o flatuloso o fedormental o culossádico
o fornicaldo o ascumbroso o irgaulosso o matravisgoso
o degeneroso o incéstuo o pusdentoso o espamventroso
o espertacular o supurário o feezívero o pestifério
o merdentíssimo o venalando o cacratíssimo o silfelíssimo
o empaluto o encornupto o entumurado o intumorato
NERUM
DIVOL
IVREM
LUNDO
UNDOL
MIVRE
VOLUM
NERID
MERUN
VILOD
DOMUN
VRELI
LUDON
RIMEV
MODUL programa o leitor-operador é
VERIN convidado a extrair outras
LODUM variantes combinatórias
VRENI dentro do parâmetro semântico
IDOLV dado
RUENM as possibilidades de permutação
REVIN entre dez letras diferentes
DOLUM duas palavras de cinco letras cada
MINDO ascendem a 3 628 800
LUVRE
MUNDO
LIVRE
Haroldo de Campos – Álea 1 (H. de CAMPOS, 1982, p.s.n.)
A
poesia eletrônica, ou qualquer outra denominação que lhe possa ser dada (computer poetry, poesia numérica, ciberpoesia, poesia digital, tecnopoesia, etc.), é uma continuação dos tipos de fazeres poéticos da segunda metade do século XX. O computador permitiu que muitas experimentações poéticas pudessem ser realizadas, testadas ou complementadas. Ou seja, o nível de produção poética até então existente foi experimentada por intermédio do computador em suas mais diferentes fases. Nos primeiros momentos, em muitos casos, foi apenas migração, transferência ou transposição, mas, em contato com a linguagem dos computadores, o poeta foi descobrindo uma linguagem tecnológica que vem se adaptando à linguagem poética.
É a partir dessa confluência que o tema central deste estudo se configura: a linguagem computacional, nas suas mais diferentes fases, vai produzir um impacto no poeta e ele vai passar a fazer um uso poético dela. Esse foi o tema desenvolvido em A literatura cibernética 1: autopoemas gerados por computador (BARBOSA, 1977), Poética dos meios e arte high tech (CASTRO, 1988), Informatique et Littérature (VUILLEMIN, 1990), Hyperpoems and Hyperpossibilities[9](LARSEN, 1992), Virtual Muse: Experiments in Computer Poetry (HARTMAN, 1996), Cybertext poetry: effects of digital media on the creation of poetic literature (FUNKHOUSER, 1997), Ensaio sobre o texto poético em contexto digital (RISÉRIO, 1998), Digital Poetics: The Making of E-Poetries (GLAZIER, 2002), p0es1s: Äesthetik digitaler Poesie / p0es1s: The Aesthetics of Digital Poetry (BLOCK; HEIBACH; WENZ, 2004), Poesia eletrônica: negociações com os processos digitais (ANTONIO, 2005), Prehistoric Digital Poetry: An Archaeology of Forms, 1959-1995 (FUNKHOUSER, 2007), dentre outros.
Em todas essas publicações, além de uma teorização séria e de esboços de panorama histórico, há sempre análises de poemas e de poetas, nas mais variadas extensões. Como o estudo desse tipo de poesia encontra-se em seus primórdios, faz-se necessário pensar na leitura da poesia digital por meio das suas dimensões gráficas, visuais, cinéticas e sonoras, pois elas representam a realização daquilo que a palavra poética, no meio oral e/ou impresso, sugeria, um enfoque que vem sendo desenvolvido pela Crítica Literária.
Para facilitar a compreensão inicial da análise, foi feita uma escolha de alguns tipos de poesia e, por meio deles, será possível abordar a leitura da poesia eletrônica sob a dimensão que nela predominar.
As primeiras poesias computacionais foram, a exemplo do texto estocátisco de Theo Lutz, em 1959, de “I am that I am”, de Brion Gysin, em 1960, e do “Tape Mark I”, de Nanni Balestrini, em 1961, experimentações com a tentativa de transposição de palavras, em determinada ordem gramatical (substantivo, verbo, adjetivos, preposições, etc.) e com certa combinação entre cada grupo de palavras. Predominou uma dimensão programática: o uso do computador, antes destinado apenas a cálculos, começa a produzir linguagem. As primeiras experimentações partem de palavras estocadas previamente, que são recombinadas. Trata-se da utilização das técnicas da poesia permutacional e combinatória. As permutações e combinações produzidas eram impressas e, após muitas seleções, chegava-se a um poema computacional. Uma experiência bastante significativa é o trabalho pioneiro de Pedro Barbosa em Portugal, a partir de 1975, que resultou em “Poema de Computador” (BARBOSA, 1996, p. 251-257).
Trazendo alguma semelhança com a “typewriter poetry”, na década de 70, há exemplos de uma relação visual com o uso do computador, como é o caso do poema de Leslie Mezei:
Fig. 6 - Leslie Mezei – Babel (in BAILEY, 1973, p. 32)
Embora muitos estudiosos considerem essas experimentações como uma espécie de extensão da poesia concreta, especialmente porque alguns poetas concretos afirmam que a poesia concreta tinha uma vocação para ser hipermidiática, o uso da linguagem programática já começa a explorar a visualidade que se constrói por simulação. Uma extensão desse tipo de tecno-arte-poesia é a arte ASCII[10] e a poesia ASCII, cujo exemplo comentaremos mais adiante.
De 1972, há uma experiência interessante em que palavra, imagem e gráfico são manipulados num computador de grande porte para produzir um poema:
Fig. 7 - Erthos Albino de Souza – Le tombeau de Mallarmé
(SOUZA in MALLARMÉ, 1991, p. s. n.)
Erthos Albino de Souza (1932-2000) elabora um programa sobre distribuição de temperaturas, cujo resultado visual é um gráfico. Ao invés de números, o poeta e engenheiro incluiu as letras da palavra “Mallarmé” e produziu uma série de dez imagens como a que está apresentada acima. A dimensão visual produziu um significado icônico que se assemelha ao túmulo de Mallarmé.
A denominação de “infopoesia” ou “poesia visual digital” vai predominar para esse tipo de exploração, que, em muitos casos, é feita com um editor de imagens. A aparência de terceira dimensão que a tela do micro oferece motiva muitas produções nas quais começam a predominar a dimensão visual. O surgimento de vários programas, como o Adobe Photoshop, por exemplo, enseja a produção de vários trabalhos.
A partir dos anos 80, surge a multimídia, que depois passa a ser chamada de hipermídia, e reúne o uso de textos, gráficos, imagens, animações, vídeos e sons. Para este estudo, esse período pode ser observado a partir de 1995, com o surgimento da WWW, momento em que se desenvolve a poesia hipertextual e hipermidiática.
Essa poesia hipermidiática precisa ser entendida em suas dimensões gráficas, visuais, cinéticas e sonoras. Como nem sempre o poeta faz uso de todas essas dimensões numa mesma criação, há possibilidade de analisar cada uma delas separadamente.
Explorando o uso de uma “pop up”, Jim Andrews (Canadá) -
http://vispo.com/popups/popups.htm - cria um “pop-up poem” que faz um “movimento” de uma página da web para outra. É um recurso da tecnologia computacional. De certa maneira, a dimensão gráfica do poema se forma como se fosse uma página da web. Além disso o poema se configura como uma personificação dessa janela que salta e oferece uma nova página para ser lida:
Yes, I am a pop-up poem 1":
Yes, I am a pop-up poem
I live beneth the page
among 'neth the text.
What choice do I have
of offer?
The sound of search engine
wakes me in the night.
I make some java,
wait for you.
Well hello.
Welcome to the 'neath text (ANDREWS, 1996/1998)
[11]
Fig. 8 - Jim Andrews – Pop-up poems
“Scalpoema”, de Joesér Alvarez (Brasil) -
http://geocities.yahoo.com.br/scalpoema/index.html -, por meio de páginas com palavras mais claras ou mais escuras, fazendo as letras aparecerem ou se apagarem, o poema reconstrói o significado da dedicatória de
Memórias Póstumas de Brás Cubas, 1881, de Machado de Assis, um texto literário que se mostra precursor de muita modernidade.
A imagem – letras pretas e cinzas sob fundo branco – faz um diálogo de efeito fílmico com uma música de fundo, de suspense, num crescendo e decrescendo. Essa dimensão sonora como que “prepara” o leitor para o movimento das páginas e a mudança de sentido das palavras.
“Click Poetry”, de David Knoebel (EUA) -
http://home.ptd.net/~clkpoet/ - é o uso poético da palavra isolada que pode ser lida e, por meio de um clique, ouvida. A semelhança com a poesia concreta se desfaz quando o ciberleitor ouve uma outra palavra e sente o estranhamento da resposta ao seu ler-ver-clicar.
Fig. 9 - David Knoebel – Click Poetry (1996)
A obra digital de Knoebel é dividida em três partes: Words in Space, Words, e The Click Poems. Em todos os poemas digitais, é necessário observar as dimensões visuais, cinéticas e sonoras para compreender a mensagem que tem por base as palavras.
Um caso em que a dimensão gráfica predomina sobre a dimensão verbal, e é por meio dela que a visualidade é composta, é “VITA4PM” –
http://warnell.com/real/vita_4pm.htm - , de Ted Warnell (Canadá). O poema foi composto a partir da foto do Prof. Philadelpho Menezes (1960-2000), que circulou no egroup Webartery por ocasião do seu falecimento, acrescido dos seus dados biográficos. Há dois riscos brancos que convergem para o retrato em miniatura do homenageado: quando o ciberleitor clica num traço, surge a palavra “VITA4PM” (Vida para Philadelpho Menezes) e quando clica no outro, aparecem as palavras na legenda da página: “intersign poetry”.
A
Poesía Virtual de Ladislao Pablo Györi (Argentina) -
www.lpgyori.50g.com, aqui exemplificada com o poema VP 14 -
http://www.lpgyori.50g.com/0_digital_works/varios_htm/vpoems2_htm/07_vp2.htm - pode ser compreendida pela dimensão da realidade virtual, pois o poeta explora a terceira dimensão das palavras sob o fundo negro do monitor do micro. Há, de certa forma, a indicação de movimento do ciberleitor, procurando “ver” os caminhos das palavras e tentando entender as ligações que elas fazem.
A compreensão de
Antilogia Laboríntica –
www.refazenda.com.br/aleer/, de André Vallias (Brasil), passa pelo entendimento do que é um hipertexto composto de palavras e imagens. As palavras “aleer”, em cores laranja e azul, formando imagens tridimensionais num fundo negro, convida o ciberleitor a procurar um caminho por meio do “mouse”.
Fig. 10 - André Vallias – Antilogia Laboríntica
Essa leitura se faz por meio da visualidade e da interatividade (o clicar): a cada clique, chega-se a um bloco de informações, as lexias, no conceito de Barthes (1992, p. 47), que pode ser um conceito, uma definição, uma informação, um poema ou uma imagem, tudo em várias línguas. As dimensões verbais e visuais vão produzindo significados de acordo com a escolha do ciberleitor. Os caminhos são muitos, mas são combinações de dois pares de seis letras, um de cor laranja e outro de cor azul.
David Daniels (EUA) -
www.thegatesofparadise.com -, que iniciou a fazer poesia visual com os computadores em 1988, afirma sempre que ele “has been making words out of pictures and pictures out of words for over 60 years”. Extrair ou ressaltar palavras das imagens e imagens das palavras não é apenas uma dialética, mas explorar as dimensões visuais da palavra sob um ponto de vista do design gráfico ou das artes visuais.
Fig. 11 - David Daniels (EUA) - Webyears 1999
A obra “Cyber Birds Dance”, de Isabel Aranda Yto (Chile), na linha da arte ASCII, uma obra interativa pensada para Internet, criada em janeiro e fevereiro de 2008 -
http://www.yto.cl/cyberbirdsdance/ -, também se mostra como uma tecno-arte-poesia: os caracteres ASCII se juntam no ciberespaço para produzir imagens em cores, com uma semelhança com a poesia concreta e com a “typewriter art”; as tecnologias digitais permitem que esses mesmos caracteres se movimentos e a eles sejam acrescentados sons. “A dança dos ciberpássaros” torna-se um sugestivo título para uma obra interativa.
“Mi mundo / My World”, tipo de poesia ASCII -
http://www.escaner.cl/yto/net-art/flash/mi-mundo.html - é um exemplo de uma tecno-arte-poesia que é o uso das dimensões cinéticas da imagem como forma de construção de sentido poético.
Os exemplos acima comentados são os primeiros mapeamentos que apontam a leitura das vinculações entre Arte, Design, Poesia e Tecnologia Computacional com base nas dimensões verbais, visuais, cinéticas e sonoras da poesia eletrônica. Um aprofundamento do enfoque teórico e alguns parâmetros, estabelecidos a partir de um conjunto de exemplos, propiciará um possível modelo de leitura da poesia eletrônica.
Bibliografia
ANTONIO, Jorge Luiz. Um conceito de infopoesia, in
9º Encontro Anual da Associação Nacional de Programas de Pós-Graduação em Comunicação - COMPÓS, cd-rom, Porto Alegre (RS), PUCRS / FAMECOS, Grupo de Trabalho Criação e Poéticas Digitais, mai. / jun. 2000a. Também disponível em: <
www.cap.eca.usp.br/wawrwt/poesia.html>.
_____. Cores, forma, luz, movimento: a poesia de Cesário Verde. São Paulo: Musa / FAPESP, 2002.
_____. Ciência, arte e metáfora na poesia de Augusto dos Anjos. São Paulo: Navegar, 2004.
______. Entrevista com Chris Funkhouser. Concinnitas: Revista do Instituto de Artes da UERJ, Rio de Janeiro, jul. 2004a, nº 6, ano 5, p. 68-81.
______. Poesia eletrônica: negociações com os processos digitais. 2005. 201p. Tese (Doutorado em Comunicação e Semiótica) – PEPG em Comunicação e Semiótica, PUC SP. Acompanha um cd-rom. São Paulo, 2005.
______. As traduções na poesia digital. In: LEÃO, Lucia (Org.) O chip e o caleidoscópio: reflexões sobre as novas mídias. São Paulo: Senac, 2005, p. 311-329.
______. Poesia visual e eletrônica no Brasil. In: SANTANA, Evila; BRASILEIRO, Antonio; VUILLEMIN, Alain (Org.). (H)a crise da poesia no Brasil, na França, na Europa e em outras latitudes / La crise de la poésie au Brésil, en France, en Europe et en d´autres latittudes. Cluj-Napoca, România: Editura Limes; Cordes-sur-Ciel, França: Editions Rafael de Surtis; Feira de Santana, Bahia: Editora da UEFS, 2007, p. 400-432.
______; PINTO, Regina Célia. Entrevista com David Daniels / Interview with David Daniels.
Museu do Essencial e do Além Disso, Rio de Janeiro, 2004b. Disponível em: <
www.arteonline.arq.br/museu/interview/david.htm>. Acesso em: 26 set. 2004.
______: ______. A Human Being Called David Daniels / Um ser humano chamado David Daniels. Rio de Janeiro / São Paulo: edição dos autores, 2004c, cd-rom.
ANTUNES, Maria Isabel do Amaral. Imagens da vida: Presença: poesia e artes plásticas. Porto, Portugal: Edições Universidade Fernando Pessoa, 1996.
APOLLINAIRE, Guillaume. Calligrammes. Estudos: Vincent Vivès. 2.ed. Paris: Gallimard, 2003.
BARBOSA, Pedro. A Ciberliteratura: Criação Literária e computador. 1.ed. Lisboa: Cosmos, 1996.
BARBOSA, Pedro; CAVALHEIRO, Abílio. Teoria do homem sentado. Porto: Afrontamento, 1996.
BLOCK, Friedrich W. Acht Finger digitaler Poetik / Eigh Digits of Digital Poetics. In: ______; HEILBACH, Christiane; WENZ, Karin (Ed.). p0es1s. Äesthetik digitaler Poesie / The Aesthetics of Digital Poetry. Trad. Nina Bishara et al. Ostfildern-Ruit, Alemanha: Hatjie Cantz Verlag, 2004, p.307-17.
______. Re: Consult [mensagem pessoal]. Mensagem recebida por \n
jlantonio@uol.com.br Este endereço de e-mail está protegido de spam bots, pelo que necessita do Javascript activado para o visualizar em 16 mai 2004.
______. Re: Asking you about ... [mensagem pessoal]. Mensagem recebida por
\n jlantonio@uol.com.br Este endereço de e-mail está protegido de spam bots, pelo que necessita do Javascript activado para o visualizar em 8 abr. 2005.
____; AUMEIER, Gerd. IO poesis digitalis. Linz, Alemanha: Blattwerk, 1997.
____; HEIBACH, Christiane; WENZ, Karin (Ed.). p0es1s. Äesthetik digitaler Poesie / The Aesthetics of Digital Poetry. Tradução: Nina Bishara et al. Ostfildern-Ruit, Alemanha: Hatjie Cantz Verlag, 2004. Edição bilíngüe (alemão-inglês).
_____.; ______; ______ (Ed.). Äesthetik digitaler Poesie: eine Einfühurung / The Aesthetics of Digital Poetry. In: ___. p0es1s. Äesthetik digitaler Poesie / The Aesthetics of Digital Poetry. Trad. Nina Bishara et al. Ostfildern-Ruit, Alemanha: Hatjie Cantz Verlag, 2004, p. 11-36.
CASTRO, E. M. de Melo e. O próprio poético: ensaio de revisão da Poesia Portuguesa atual. São Paulo: Quiron, 1973.
______. Dialética das vanguardas. Lisboa: Horizonte, 1976.
______. In-novar. Lisboa: Plátano, 1977.
______. Literatura portuguesa de invenção. São Paulo: Difel, 1984.
______. Infopoesia ou poesia informacional. Diário de Lisboa, Lisboa, 29 out. 1987. p.4.
______. As vanguardas na poesia portuguesa do séc. XX. 2.ed. Lisboa: Instituto de Cultura e Língua Portuguesa, 1987.
______. Poética dos meios e arte high tech. Lisboa: Vega, 1988.
______. Trans(a)parências: poesia – I: 1950-1990. Sintra, Portugal: Tertúlia, 1990.
______. O fim visual do século XX e outros textos críticos. Org. Nádia Battella Gotlib. São Paulo: Edusp, 1993.
______. Visão visual: 1961-1993. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1994.
______. Finitos mais finitos: ficção/ficções. Lisboa: Hugin, 1996.
______. The cryptic eye. In: JACKSON, K. D. et al (Ed.), Experimental-visual-concrete avant-gard poetry since the 1960s: critical studies. Atlanta, EUA: Yale University Press, Rodopi, 1996a.
______. Videopoetry. New Media Poetry: Poetic Innovation and New Technologies. Visible Language 30.2 Providence, Rhode Island, EUA, Rhode Island School of Design, mai. 1996b, p.138-149.
______. Algorritmos: infopoemas. São Paulo: Musa, 1998.
______. Uma transpoética 3D. Dimensão: Revista Internacional de Poesia, Uberaba, MG, 1998a, nº 27. p.151-178.
______. Humanizar o humano. Revista da Biblioteca Mário de Andrade, São Paulo: Secretaria Municipal de Cultura, jan./dez. 1998b, v.56, p.21-27.
______ (Org.) - Novos infopoetas de São Paulo. Dimensão: Revista Internacional de Poesia, Uberaba, MG, 1999, ano XIX, nº 28/29, p.259-301.
______. Melo e Castro. In: DOMINGUES, Diana (Org.). 13th SIBGRAPI/2000: Brazilian Symposium on Computer Graphics and Image Processing. Gramado, RS: UCS / CNPq / FAPERGS / Fundação Bienal do Mercosul, 17-20 out. 2000a, p.5.
______. Antologia efémera: [poemas 1950-2000]. Rio de Janeiro: Lacerda, 2000b.
______. Una transpoética en 3D. Tradução: Saúl Ibargoyen. In: IBARGOYEN, Saúl (Org.). Poesía y computadora. México, DF: Praxis, 2002, p.103-15.
______. Jorge Luiz Antonio Prefácio Verde. In: ANTONIO, Jorge Luiz. Cores, forma, luz, movimento: a poesia de Cesário Verde. São Paulo: Musa, 2002, p. 9-11.
______. Consulta [mensagem pessoal]. Mensagem recebida por \n
jlantonio@uol.com.br Este endereço de e-mail está protegido de spam bots, pelo que necessita do Javascript activado para o visualizar em 12 mai. 2004.
______; FERNANDES, João (Coord.). O caminho do leve / The Way to Lightness. Tradução: John Havelda e Sofia Gomes. Porto, Portugal: Museu Serralves, 2006. 303p. Catálogo de exposição, 10 fev.-30 abr. 2006, Museu de Serralves.
CÓZAR, Rafael de.
Poesía e imagen: poesía visual y otras formas literarias desde el siglo IV aC. hasta el siglo XX. Sevilha, Espanha: El Carro de la Nieve, 1991. Transcrito em:
Boek861, Espanha, s.d. Disponível em: <
http://boek861.com/lib_cozar/indice.htm>. Acesso em: 20 mar. 2002.
DAVINIO, Caterina. Tecno-poesia e realtà virtuali: storia, teoria, esperienze tra scrittura, visualitá e nuovi media. Tradução: ______, Jorge Luiz Antonio e Tom Bell. Mantova, Itália: Sometti, 2002 (Archivio della poesia del '900 13-14). Edição bilíngüe (italiano-inglês).
ESKELINEN, Markku; KOSKIMAA, Raine (Ed.). Cybertext Yearbook 2002. Gummerus, Saarijärvi: University of Jyväskaylä, 2003.
______. (Ed.). The Little Magazine: volume 21. Albany, EUA, University at Albany, Research Foundation of Suny (State University of New York), 1995, College of Arts and Sciences, cd-rom, vol. 21. Microsoft Windows 3.1.
______. Cybertext poetry: effects of digital media on the creation of poetic literature. Albany, EUA, 1997. 229p. Tese (Doctor of Philosophy) – College of Arts & Sciences, Department of English, University at Albany, State University of New York.
______. Selections. New Jersey, EUA: edição autônoma. CD-ROM, 2003. versão para PC.
______. Moving Outside Itself: A Poetics of Hypermedia. In: SANTANA, Evila; BRASILEIRO, Antonio; VUILLEMIN, Alain (Org.). (H)a crise da poesia no Brasil, na França, na Europa e em outras latitudes / La crise de la poésie au Brésil, en France, en Europe et en d´autres latittudes. Cluj-Napoca, România: Editura Limes; Cordes-sur-Ciel, França: Editions Rafael de Surtis; Feira de Santana, Bahia: Editora da UEFS, 2007a, p. 394-399.
______. Prehistoric Digital Poetry: An Archaeology of Forms, 1959-1995. Tuscaloosa, Alabama, EUA: The University of Alabama Press, 2007.
GARNIER, Pierre; GARNIER, Ilse. Prototypes. Paris: Éditions André Silvaire, s.d.
______. Digital poetics: the making of e-poetries. Tuscaloosa, Alabama, USA: The University of Alabama Press, 2002.
______. Poets / Digital / Poetics. In: FOSTER, Edward: DONAHUE, Joseph (Ed.). The World in Time and Space: towards a History of Innovative Americam Poetry in Our Time. New Jersey, EUA: Talisman House Publishers, 2002a, p.674-83. (Talisman: a journal of contemporary poetry and poetics, 23-26).
______. Der konditionale Text: Zur Verortung der 'Poesie' in digitaler Poesie / The Conditional Text: Siting the "Poetry" in E-Poetry. In: BLOCK, Friedrich W.; HEILBACH, Christiane; WENZ, Karin (Ed.). p0es1s. Äesthetik digitaler Poesie / The Aesthetics of Digital Poetry. Trad. Nina Bishara et al. Ostfildern-Ruit, Alemanha: Hatjie Cantz Verlag, 2004, p.57-78.
GONÇALVES, Aguinaldo José. Transição e permanência: Miró / João Cabral: da tela ao texto. São Paulo: Iluminuras, 1989.
______. Laokoon revisitado: relações homológicas entre texto e imagem. São Paulo: Edusp, 1994.
HIGGINS, Dick. Horizons: the poetics and theory of the intermedia. Cabrondale e Edwardsville, EUA: Illinois University Press, 1984.
ICA - INSTITUTE OF CONTEMPORARY ARTS. Between Poetry and Painting. Catálogo de exposição, 22 out. – 27 nov. 1965, Londres, Institute of Contemporary Arts.
______. Kac Web
. Chicago, EUA, 1995.Disponível em:<
www.ekac.org>. Acesso em: 14 out. 2000.
______. Introduction. Visible Language 30.2: New Media Poetry: Poetic Innovation and New Technologies, Providence, Rhode Island, Rhode Island School of Design, EUA, mai. 1996, n. 30.2, p.98-101.
______. Holopoetry. Visible Language 30.2: New Media Poetry: Poetic Innovation and New Technologies, Providence, Rhode Island, Rhode Island School of Design, EUA, mai. 1996a, nº 30.2, p.234-237.
______ (Ed.) – International Anthology of Digital Poetry. Chicago, EUA: New Media Editions, 1996/1997, cd-rom. Versão para Mac e PC.
______. Biopoesie / Biopoetry. In: BLOCK, Friedrich W.; HEILBACH, Christiane; WENZ, Karin (Ed.). p0es1s. Äesthetik digitaler Poesie / The Aesthetics of Digital Poetry. Tradução: Nina Bishara et al. Ostfildern-Ruit, Alemanha: Hatjie Cantz Verlag, 2004, p. 243-50.
______. Luz e letra: ensaios de arte, literatura e comunicação. Rio de Janeiro: Contracapa, 2004a.
KHOURI, Omar. Poesia visual brasileira: uma poesia da era pós-verso. 1996. 311f. Tese (Doutorado em Comunicação e Semiótica) – PEPG em Comunicação e Semiótica da PUC SP. São Paulo, 1996.
LARSEN, Deena [Denise E. Larsen]. Hyperpoems and hyperpossibilities. Colorado, EUA, 1992. 131 f. Tese (Master of Arts) – Department of English – Faculty of the Graduate School, University of Colorado, EUA.
______. What You See is not What I See.
Currents in Electronic Literacy, Universidade de Austin, Texas, EUA, outono 2001a, nº 5. Disponível em: <
www.cwrl.u