Normal 0 21 false false false MicrosoftInternetExplorer4 /* Style Definitions */ table.MsoNormalTable {mso-style-name:"Tabela normal"; mso-tstyle-rowband-size:0; mso-tstyle-colband-size:0; mso-style-noshow:yes; mso-style-parent:""; mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt; mso-para-margin:0cm; mso-para-margin-bottom:.0001pt; mso-pagination:widow-orphan; font-size:10.0pt; font-family:"Times New Roman"; mso-ansi-language:#0400; mso-fareast-language:#0400; mso-bidi-language:#0400;}

VidaMarco Antonio

Vida. O que é vida?

Qual o pensamento de vida de uma pessoa qualquer que passa ao meu lado na rua sem sequer olhar para frente, com medo, talvez, de olhar nos olhos de alguém?

Vida. Qual o sentido da vida?

Estamos aqui por um propósito maior, ou somos somente um resultado de uma evolução que durou bilhões de anos, desde que o universo provavelmente se formou?

Deus.

Existe tal ser, ou isso é somente um prolongamento para aquilo que mais gostamos, que é viver?

Vida eterna e seus afins.

O que nos traria de benefício viver por toda a eternidade num local aonde o certo é certo e o resto não existe?

Nossa vida é uma incógnita no universo imenso e complexo, e somos apenas uma ínfima e insignificante parte daquilo que é esse universo.

Qual o porquê da sua vida e qual seria o propósito dela, se é que existe um?

Não podemos apenas pensar que estamos aqui, por nada, e que vamos voltar ao pó, sem nada em troca?
Sabemos que isso é uma possível realidade, a realidade de não existir força maior, controladora de todo o universo, mas preferimos acreditar que existe, sim, essa força maior, e que ele tem um propósito para nós.

Por que, afinal, se ela existe, não intervém no nosso dia-a-dia e não muda as situações catastróficas com as quais temos que conviver, com apenas um apontar de dedo? Se o propósito de vida para nós é esse, então esse deus, ser de grande poder ou qualquer outra denominação estranha que haja, está errando muito. Que pai vê o filho em tais condições e nem sequer tenta ajudar, mas piora a situação, mandando catástrofes naturais atacarem com seu poder destrutivo e devastador seus amados filhos? Não que sejam eles a causa disso, mas pensemos que você acredite nisso, e veja como causa das catástrofes o seu deus precioso. As religiões cristãs e até mesmo pagãs nos explicam que é porque deus ou os deuses, no caso dos pagãos, cansaram de sua mais perfeita criação e estão esperando o dia do juízo final, Ragnarök ou Apocalipse, para exterminarem aqueles que foram ruins e salvar os bons. Mas, afinal, não são os deuses, piedosos? Não têm eles a compaixão por seus filhos e crias maiorais? O que nos leva a pensar que eles distinguirão os bons dos maus e assim por diante? Não somos iguais?

Nós somos a causa de tudo isso, e nenhum deus vai descer dos céus e vir nos salvar de tudo aquilo que nós causamos.

Na realidade, nós somente acreditamos porque nos é forçada a verdade, pois se todos começarem a questionar, assim como eu faço, ninguém mais vai àquela igreja do pastor que diz que com apenas alguns trocados por mês doados à igreja e a Deus, você vai para o céu, e que se aumentar a quantia, sua alma e a de seus filhos e parentes também serão salvas, e que se aumentar ainda mais, será uma fartura no céu. Mas não somos todos iguais, novamente pergunto?

Não existe coerência em falar que isso é destino traçado por algum ser, e que isso está escrito nas estrelas, porque, quem faz o nosso futuro somos nós mesmos. Nós escrevemos a nossa história, nossos atos de ontem influenciaram no hoje, e os de hoje influenciarão no amanhã. É um ciclo vicioso, não há escapatória. Suas decisões vão remeter você a novas decisões, que te trarão mais decisões, e assim por diante. E como conseqüência disso, temos nossas escolhas, escolher entre um e outro, entre o certou ou o errado.

Somos nós que escolhemos ser o que somos, e não um ser superior que nos designa uma tarefa ou profissão. Você é conseqüência daquilo que faz, e não daquilo que quer.

Não existe coerência em falar que vamos ser julgados pelos nossos atos na Terra, pois temos livre arbítrio e consciência o bastante para sabermos se estamos errados ou não, e o seu julgamento é o que você mesmo faz, no momento de suas escolhas e decisões.

Acreditamos mesmo que existe um deus, ou isso é somente um conforto para nossas cabeças pensantes, que não querem perder esse dom lindo e gratificante, que é a vida?

Afagamos nossos deslizes e erros com coisas como orações e pedidos de perdão para o ser maior, mas o próximo não está se sentindo nada bem com o que você fez, e de nada adianta você pedir perdão ao tal ser, se não pede perdão àquela pessoa que machucou ou que fez sofrer.

Deixando de lado agora o assunto religião, deuses e seus amiguinhos queridos, pois esse assunto já foi tratado e você já deve estar se questionando se é mesmo coerente acreditar em um deus ou força maior, passemos a falar mais só da vida.

Qual o seu pensamento de vida? O que você quer para ela? Qual o seu estilo de viver?

Isso nos remete a mudanças na nossa vida. A sociedade de hoje em dia nos faz pensar que temos que seguir as tendências da moda, e que temos que mudar constantemente segundo ela, e se você não está na moda, não vive e não é sociável. Vista uma roupa de marca de renome, ponha um perfume francês, saia para curtir as músicas do momento e, voilà, você é uma pessoa legal.

Mas o problema e a questão é se sentir bem com isso, e não fazer só para parecer legal.

Se você é assim, curte o que é do momento e não se sente mal, ao contrário, acha legal tais atitudes, sem problema algum. Mas por que você começou a ser assim? Foi porque você estava no meio de seus amigos e eles o forçaram a tal gosto, ou foi por livre e espontânea vontade? Foi por convivência e adaptação, ou por imposição da maioria?

O problema é a causa, e não as conseqüências. Você acha certo ser uma coisa que não gostava antes, apesar de ter se acostumado a ser isso, só para se socializar com seus amigos? Qual a necessidade de mudar por vontade alheia? Eles não podem aceitar o seu jeito e acharem você legal como você realmente é? É claro que se o seu emprego depende disso, mudanças são necessárias, mas já passa a ser outro tipo de mudança, a mudança boa, que eleva você e seu caráter.

A mudança boa é aquela que vai te trazer benefícios, como aprender a suportar ordens superiores, como, por exemplo, parar o seu serviço para tirar um xérox para o seu chefe, aprender a falar direito e se portar à frente de pessoas importantes e com renome, pelo menos dentro de sua empresa, mudar aquele seu jeito despojado de andar, e começar a andar ereto, como um homem elegante faz, entre muitas outras mudanças, boas, que existem.

Mas não há só as mudanças boas dentro de suas experiências de vida.

Há aquelas que te marcam, traumatizam e nunca mais deixam se apagar a cicatriz.

São os traumas de infância, que nem os mais renomados psicólogos e psiquiatras conseguem resolver ou tratar, os traumas pós-acidente, e tantos outros, que mudam o seu jeito de ver a vida, e de agir nela.

Essas são as mudanças forçadas a nós.

Mas temos que ver se estamos mudando e pensando na hora de mudar, e abertos a mudanças constantes que podem ocorrer na nossa vida. Ver também se não vamos perder nossa personalidade e nosso caráter ao invés de ganhar alguma experiência no viver e no saber. Temos que ver as mudanças como forma de melhora, e melhorar mesmo que ela seja uma mudança forçada, tentar se aproveitar daquilo que aconteceu para nos transformar em alguém mais forte e mais sábio.

Falando em experiência de vida, como você vive as suas?

Como vive sua vida?

Com adrenalina, ou parado e sentado numa cadeira sem ânimo algum, chamando a vida de uma bela bosta e esperando a morte chegar, como dizia Raul, com a boca escancarada e cheia de dentes? Não me venha com conformismo e não me diga que está tudo bom. As coisas ruins são necessárias, mas são necessárias até certo ponto. Se você acha que tudo que acontece tem que acontecer, parabéns, você é um cristão ortodoxo e sem expectativa de vida alguma.

Sua expectativa de vida é grande, ou você pensa que amanhã você pode morrer?

Morrer é uma parte que temos que esquecer e ao mesmo tempo lembrá-la. Não fique pensando na morte, ou que se você fizer algo, vai morrer como conseqüência. Lembre somente que a morte é uma constante, não programe-a, não tente adivinhar quando ela vai ser, porque ela sempre te surpreende, mesmo que já esteja esperando por ela. Ambicione coisas, sem medo de morrer ou ser feliz.

Ambição. Por que não tê-la?

Ambicionar e querer algo, sonhar com alguma coisa e transformar isso em algo tangível. A busca por algo te engrandece, te faz saber, e ter experiências que nunca sonhou ter.

Conformismo, filosofia de vida barata para aqueles que não sabem querer, e que se contentam com sua vida, com as coisas repetitivas do dia-a-dia, deixam a vida ser uma rotina, toda a vida, desde seu começo até o fim. Se tudo está de bom tamanho, não viva, só espere a morte chegar. Deite, encoste a cabeça no seu travesseiro e pronto, fique assim até a sua vida acabar, pois se vai viver, está sujeito a querer algo. Na realidade, o conformismo em si não existe, pois sempre se quer algo, mesmo que seja pequeno esse algo.

Ambicione sua felicidade, sua melhora, seu bem-estar, mas nunca deixe a ambição te subir à cabeça, e te transformar numa pessoa que pisa no próximo pelo seu próprio bem. Pense no próximo e lembre que um dia quem pode ter que lembrar de alguém é ele, e esse alguém pode, e provavelmente vai, ser você. Assim como alguém precisa de você hoje, você pode precisar de alguém amanhã.

Ambicione conquistar uma família, ou não ter nada quando ficar mais velho, ou ter problemas com certas coisas no seu dia-a-dia, ou qualquer coisa que lhe convenha. O importante é ter ambição, querer, e como diz o ditado, querer é poder.

E minha vida se baseia nas seguintes linhas:

Não acredito em nada sem questionar o porquê antes, não consigo confiar numa coisa que não tem fundamentos ou argumentos plausíveis, acredito naquilo que vejo e sinto, acredito no amor, na fraternidade, na amizade e em outros valores, para os quais dou extrema importância. Vejo a vida como uma grande diversão, mas sou sério quando preciso ser. Deus para mim é uma mera fantasia, e tenho fé naquilo que posso comprovar, que é minha inteligência e capacidade de aprender, ou, basicamente, tenho fé em mim.

Agora, umas dicas, que não são para ser seguidas à risca, mas são conselhos, de um amigo.

Acreditar em Deus e ter fé nele não é errado, mas a partir do momento em que você só tem o ponto de vista que parte da fé nele, você fica cego para o resto do mundo, não vive as coisas boas da vida, não curte, não se diverte e afins. A visão atravessada em Deus é turva, pois ele está na frente. Limpe sua visão, se liberte da visão turva, e pelo menos passe a enxergar por um outro ponto de vista a mais que só o com Deus. Freud disse uma vez que um homem sem religião tem chances maiores de viver uma vida mais completa e normal, e ele quis dizer com isso, ao meu ver, que temos que nos libertar das coisas que nos impedem de enxergar a realidade nua e crua, porque Deus e fé nos tapam a visão, e nos fazem enxergar tudo distorcido, faz-nos ver que os problemas são precisos, e que tudo vai se resolver com uma oração. Não somos feitos de espectro ou algo parecido para poder esperar a eternidade por algo se resolver, e temos que agir. Se você reza, continue assim, se gosta, mas haja ao mesmo tempo, faça acontecer e mude seu dia-a-dia de espera por aquilo que quer. Seja feliz, do jeito que você quiser, e tente pelo menos conquistar aquilo que sonha. Sonhar é bom, e nem todos vêem isso como tal.

Viva a vida, sem medo de surpresas, sem medo de viver. Não programe-a demais, faça planos, sim, mas não siga exatamente eles, e tente mudar a rotina dos mesmos fazendo coisas que não estavam nos planos, não faça uma lista muito longa de coisas a se fazer, não programe muito o que pode acontecer, o que vai acontecer nem o que não vai acontecer. Tenha o plano A, o B, mas nunca o C, para se emocionar com os pensamentos do que pode acontecer se caso não der certo. Tenha possibilidade de se surpreender, possibilidade de se decepcionar, de se magoar, de se alegrar ou ficar triste. Tente o impossível, mas sempre corra atrás do possível, pois pelas pequenas coisas chegamos às grandes. Sonhe, ambicione, queira. Espere, seja paciente, mas tenha pressa também, pressa em ser feliz, mas nunca em demasia, pois a hora que queremos nem sempre é a hora em que podemos. Ame, apaixone-se, beije, curta, saia, mas também divida seu tempo para estudar, para se dedicar para si mesmo, para viver um pouco o gosto bom da solidão. Silencie-se, escute o som da noite enluarada, mas fale muito e ria durante o dia. Faça amigos, de preferência verdadeiros, mas se forem falsos, ria deles, e se contente, se alegre, pois os que estão perdendo são eles, e não você. Bata de frente com quem é contra sua opinião, discuta, argumente, mas nunca saia do tom de voz adequado para uma conversação amigável. Se a pessoa aumentar o tom, pode saber que ela não tem razão no que fala, e é uma ignorante. Defenda sua opinião, mas não ao ponto de causar uma briga ou desentendimento entre você e o próximo. Seja capaz de aceitar críticas, elas são construtivas, mesmo que estejam nos ofendendo. Escute-as, reflita, e pense se quem está certo é quem criticou ou quem escutou, no caso, você. Seja gentil, ajude o próximo, e não espere nada em troca, pois assim, você vai conseguir reconhecimento. Não acredite em falsas teorias, mas sempre discuta e veja se o assunto tem fundo e argumentação suficiente para ser plausível. Brinque, se divirta, mas seja sério nos momentos necessários. Saiba falar, mas saiba mais ainda ouvir. E viva, sempre intensamente, sempre do jeito que te convém, do jeito que achar melhor, mas sempre reveja seus conceitos, sempre olhe para trás e veja o grande caminho que trilhou. Mude, mas com consciência, com a certeza de que isso é o mais certo a se fazer. Ame-se, goste-se, mas não transforme o mundo num mundo só seu, e não se isole para a sociedade.

Viva. E saiba viver.