Oi, tenho dezessete (no RG).



Trabalho oito horas por dia, com uma hora e meia de almoço, tendo que acordar cedo para ir trabalhar. Depois do “trampo”, venho pra casa, alguns dias falo com minha namorada, outros eu jogo, outros eu toco violão, outros eu tomo banho (tomo banho outros horários, esse seria um complementar. Nota, apenas nota...). Não é uma rotina muito definida no quesito “Aproveitar a Hora Antes de Ir para a Escola”. Batendo o singelo sino do relógio (que finjo ter na mente para não me esquecer do horário) às sete horas da noite, parto eu para enfrentar mais um dia na escola (digo enfrentar pois lá temos um bando de animais selvagens, espécimes comuns hoje em dia, que gritam, e, se você “marcar na frente deles”, mordem).

Tenho responsabilidades, pois meu pai não mora comigo, então, logo, sou o “Homem da Casa”, título que não gosto muito, pois lhe joga nas costas responsabilidades que pessoas de 40 às vezes não têm.

Conciliar tudo é difícil. É, é difícil sim. Mas, tudo bem, me viro, é minha vida. Fazer o que, além de aceitar? Só algo no hoje para mudar no futuro, mas o futuro. O agora, só aceitar.

Mas o mais irônico nisso tudo, o mais cômico, é o jeito que as pessoas falam pra nós, jovens. haha É de rir (ou chorar, escolha aberta para quem lê).

“Esse ‘tá jovem! Nem tem preocupações!” ou “Queria estar na flor da idade como você!”. Que porra é essa? Como as pessoas sabem da sua vida? Elas te conhecem? Elas convivem com os seus problemas? Elas sabem realmente a sua idade? Sem ser a do seu RG. Digo isso pela incrível capacidade humana de estereotipar e classificar jovens como “Vagabundos do Século”, mérito de todos os que têm de 12 a 21 anos. É que nesse meio tempo, nesse intervalo de idade, julgam que os jovens só querem saber de curtir a vida, adoidada, como muitos. É a maioria que define a minoria. É o estereótipo que define a porra do “qualquer um”.

O que acontece com as pessoas mais velhas que acham que, por termos de 12 a 21 anos, precisamos necessariamente só querer vagabundear? Por que o mundo nos trata com tanta insignificância e acham que podem nos moldar, nos dar títulos, só porque a maioria é assim?

Entristece-me ver essa sociedade consumista, que pensa que porque somos jovens, não conhecemos o mundo. Entristece-me os velhos acharem que porque curtiram a vida adoidada, temos que curtir também.

Humanos. Porra de bicho difícil de lidar. E será assim, até o dia em que o calendário maia terminar, e em 2012 o mundo acabar.

Por isso eu não fico triste. Vão acabar os estereótipos, os títulos, as minhas horas trabalhadas, mas sem reconhecimento, os meus “Não, cara, mas eu tenho muita coisa pra pensar sim!”, e toda essa putaria do caralho que é esse mundo.

Enquanto isso, escrevo meus textos, quieto no meu canto, sem me manifestar publicamente a não ser aqui, pois a minoria é definida pela maioria.