A casa está vazia hoje. Não esbarro nem comigo mesmo. O silêncio permeia os ambientes e o quarto ainda está na penumbra. Não tenho que fazer de mim. Encontro-me comigo mesmo em uma dimensão distante. Longe das dobras do cotidiano e das sobras do dia de ontem. Aguardo a passagem das horas!

Vesti-me de manhazinha com a roupa habitual de meu dia-a-dia. No entanto a cela parece que me leva a caminhos até então indecifráveis. Não sei onde minha nave quer me levar. Nem sei se quer, simplesmente habito.

Habito e, dentro dela, pareço ser outro mundo. Um outro mundo com outro modo de ser. Perplexo. Deixo-me acompanhar da vida que passa. Vou dentro de algo e algo vai dentro de mim. São pequenos universos irreconhecidos. Sou eu que vou no rumo do tempo. Sou eu quem sou percorrendo a minha jornada. E esta jornada não sou eu que traço.

É apenas a vida que se desenvolve e eu vou!