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Foi em Lisboa na Rua de Valle do Pereiro que começou a história da indústria cervejeira a Real Fábrica de Cerveja.
Foi aquela que pode ser considerada a primeira fábrica de cerveja com uma produção regular e bem sucedida durante algumas décadas do século XIX.
A cerveja de tradição nórdica não vingaria num país mediterrânico em que os interesses vinícolas não queriam repartir o seu mercado com a potencial concorrente.
Curiosamente três séculos depois daquela queixa ou seja a cerveja passou a ser a bebida alcoólica mais consumida no país. Entretanto só depois de 1790 numa conjuntura de política económica favorável à instalação de novas industrias nomeadamente as de processamento alimentar e de bebidas foi possível a instalação de fábricas de cerveja.
Sucederam-se os pedidos de licenciamento de fabricantes nacionais e estrangeiros; mas essas primeiras experiências cervejeiras foram efémeras.
As dificuldades de ordem técnica que terão pesado nos insucessos anteriores foram finalmente superadas com o projecto apresentado pelo fabricante francês Gilbert Ripoud Malherb que obteve a respectiva autorização a 5 de Outubro de 1818.
Mas por arranjos de família veio a trespassar a seu sogro, Claudio Sauvinet, o previlégio que lhe fora concedido. Em novo requerimento alegou que tivera grandes despesas em mandar vir da Holanda mestres, máquinas e modelos e que por isso precisava que lhe fossem cedidos "14 anos de previlégio do exclusivo" visto ter já demonstrado a superioridade da cerveja que fabricava.
Em 19 de Maio de 1819, foram aprovados o trespasse e o previlégio exclusivo por 14 anos a Claudio Sauvinet e Filhos, proprietário da Real Fábrica ao Valle Pereiro situada na Rua do Abarracamento do valle Pereiro, nº. 45, com armazém na Rua Direita do Arsenal junto à Praça do Comércio nº. 59.
Em 1828 quando da elaboração do Mapa de todas as Fábricas que se achão estabelecidas no Distrito do Bairro Alto a Fábrica de Cerveja e Destilação de Claudio Sauvinet, tinha ao seu serviço 2 oficiais,3 aprendizes, e 1 servente, quanto aos géneros utilizados figuravam o trigo, centeio, cevada, aveia, lúpulo, baga de genebra e carvão de pedra.
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