«Bessa Almeida» Published on September 16, 2008
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Timor Sempre Longe...

Tuesday September 16, 2008 at 12:25PM

Timor Ocupação 1
Timor Ocupação 1
timor capa ocupação 2
timor capa ocupação 2

Os acontecimentos em Timor, de 8 de Dezembro de 1941 a 5 de Dezembro de 1945, constituem um dos mais graves períodos da política externa durante a conflagração mundial - aquela em que uma parcela da população portuguesa sofreu mais directamente os efeitos créis das operações de guerra.

Que estas palavras seja também, uma homenagem ao valoroso povo timorense pelo seu grande amor a Portugal.

..

Timor - Leste o Crocodilo e a Esperança e a criação da ilha de 32.300 km2 (Timor-Leste tem 19.890 km2) plantada no extremo oriental do oceano Índico.

Conta a lenda da criação da ilha. É a história do crocodilo velho em busca do lugar onde nasce o sol que se aventura em terra seca para caçar. Quando lhe faltam as forças recorre à ajuda de um rapaz que depois pretende comer. Há diálogo entre o rapaz e o crocodilo. O grande réptil reconsidera, desiste dos seus intentos e deixa-se morrer transformando-se em ilha. Assim surge a terra em perfil de crocodilo.

...

Timor ficou sempre muito longe para a maioria dos portugueses e apenas a tragédia por que está passando alertou a consciência nacional. Não vamos abordar este período actual mas descrever com o maior número de detalhes possível, uma outra tragédia, pouco comhecida: a cruel ocopação de Timor pelos japoneses desde 20 de Fevereiro de 1942 a 5 de Setembro de 1945, em que perderam a vida muitos dos europeus existentes e, aproximadamente, quarenta mil timorenses.

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Fernando Maia Jr. says:
Lamentável acontecimento. O Japão teve reprovável movimento militar naquela época... Agiu contra muitos povos, invadiu diversos lugares.

E aquele livro trilingue sobre Timor, Bessa, você o leu? Gostou? Se você me recomendar, vou procurá-lo.

(Abraços!)
Posted 14 months ago. ( permalink / translate )
Vasco Riobom says:
Gostava de saber + sobre este periodo da História de Timor e do Japão.

www.ipernity.com/doc/vascoriobom/2050040
Posted 14 months ago. ( permalink / translate )
«Bessa Almeida» says:
Ao leitor.
Esta nova edição do meu "Timor" deve-se ao apoio que me foi dado pela Direcção da Sociedade Histórica da Independência de Portugal, presidida pelo sr. General Manuel Themudo Barata. A todos apresento os meus melhores agradecimentos.
Valorizada esta 2ª edição com um prefácio do sr. engenheiro Manuel Themudo Barata, antigo Governador de Timor, desejava chamar a atenção do leitor para os documentos seguintes, que não foram publicados na 1ª edição:
1. Acção do Governo Português durante a ocupação japosesa (documentos emanados do Min. Neg. Estrangeiros) com os mais importantes discursos pronunciados pelo senhor presidente do Conselho, Professor Doutor António de Oliveira Salazar;
2. Transição parcial duma conferência do senhor engenheiro Manuel Themudo Barata
Também desejo dar conhecimento das deligências feitas junto das autoridades competentes para que fossem concedidas condecorações àqueles que o Governador põe em destaque no Relatório que elaborou e também a ele próprio, que bem merecia uma Torre e Espada. Combatentes que morreram de armas na mão, militares que se distinguiram em várias acções, deportados que mostraram o seu patriotismo e timorenses que dando a vida ou arriscando-a constantemente mostrando o seu amor a Portugal, não deviam ser esquecidos podendo hoje serem evocados, a 50 anos dos acontecimentos. A existência duma bandeira portuguesa que sempre tremulou num dos campos de concentração e trazida pelo seu responsável (o então 2º sargento José Miranda Relvas, chefe do posto de Maubara), seria um símbolo que certamente faria vibrar a fibra patriótica que alguns portugueses ainda conservam. Houve um certo interesse pelo assunto mas outros acontecimentos fizeram desviar a atenção para casos menores. Não perdi contudo a esperança que, nestes tempos mais próximos, a bandeira que atrás cito seja apresentada em local adequado e que sejam proclamados, bem alto, os nomes dos Heróis de Timor que fizeram face aos ocupantes de Timor em 1942-1945, em momentos extremamente difíceis. Que Deus nos ajude.
Carlos Vieira da Rocha
Lisboa-Natal de 1995
Posted 14 months ago. ( permalink / translate )
«Bessa Almeida» says:
Documento nº 20
MOTIVOS DA INVASÃO JAPONESA
O relato da acção dos australianos em Timor foi assunto dum recente filme feito na Austrália para a televisão. O seu realizador entrevistou, em 1988, o oficial japonês que , em 1942, comandou a força invasora de Timor que explicou que o ataque foi motivado para abstar que as forças australianas que estavam no Timor holandês se refugiassem em território português quando se vissem perseguidas. Mas o facto é que em Koepang (Timor holandês) apenas havia um batalhão australiano deficientemente organizado e armado pois a Austrália, naquela ocasião, não podia fazer melhor.
Isto prova que o ataque japonês se teria dado mesmo que os australianos não tivessem desembarcado em Timor.

(Carta de Sir Bernard Callinam, comandante das tropas australianas, enviada ao autor deste trabalho em 28 de Janeiro de 1989).

SOBRE ESTE ASSUNTO
« Também foi a armada que descobriu, na residência do coronel chefe do estado maior nipónico, um caixote de documentos entre os quais uma grande carta japonesa da zona portuguesa de Timor. A carta era de 1938 e nela estavam impressas as situações dos futuros pontos de concentração, depósitos de material, pontos estratégicos a ocupar, etc. Ficou assim provado que os nipónicos há muito haviam planeado a invasão».
Posted 14 months ago. ( permalink / translate )
«Bessa Almeida» edited this comment 14 months ago.
«Bessa Almeida» says:
Documento nº 21
Apontamento
- Chefe de suco de Luca, D. Jeremias dos Reis Amaral
Os que bem o conheceram são de opinião que este chefe timorense, morto pelos japoneses devido à sua constante lealdade para com os portugueses, era merecedor de honrarias semelhantes às que foram concedidas a D. Aleixo Corte Real, Liurai de Aimaro, agraciado com a comenda da Torre Espada.

- Mulheres coreanas
Durante a ocupação japonesa, centenas de mulheres coreanas foram forçadas a irem para Timor. O Governo coreano está pedindo ao Japão pesadas indemnizações.

- Tragédia de Aileu
A Julieta, filha do tenente Lopes, contou-me pormenorizadamente a tragédia que se tinha desenrolado na habitação em que estava instalado o comandante da Companhia e situada perto do aquartelamento.
Naquela noite, temerosos de acontecimentos terríveis que pressentiam, haviam-se acolhido à casa do comandante, o administrador Virgílio Duarte, o Dr. Dinis Ângelo Arriante Pedroso (delegado de saúde da zona oeste que habitava em Aileu desde o mês de Junho), o secretário da Administração de Aileu, José Gouveia Leite, sua esposa e dois filhos (um de sete anos de idade e outro ainda de peito), o chefe de posto auxiliar António Afonso, as três filhas do tenente Lopes e o filho do tenente Liberato, de doze anos de idade.
O ataque principiou pelo quartel mas logo passou à casa do comandante que foi varrida por saraivadas de balas e a que começou a ser lançado fogo, pegando-o a uma dependência que servia de capoeira e lhe estava encostada.
Não tendo dúvidas de que iriam ser mortos e torturados pelos assaltantes, tal como acontecera ao sr. Martins Coelho em Maubisse, e vendo que ficariam assados no braseiro em que a casa ameaçava tornar-se, todos os que ali se encontravam foram tomados do maior pânico, em especial os que temiam os piores vexames para as suas esposas que preferiam ver mortas.
Em resultado deste estado de espírito, o capitão Freire da Costa suicidou-se com um tiro de pistola na cabeça, a sua esposa procedeu do mesmo modo com um pequeno revolver, o Dr. Pedroso encostou uma espingarda ao peito e desfechou sobre o coração, e o secretário Gouveia Leite e o chefe de posto António Afonso meteram espingardas sob o queixo e dispararam.
Em poucos instantes todos estes estavam mortos. O administrador Virgílio Duarte teve, então, a ideia de se misturar com os cadáveres e se fingir de morto. Assim fez, e foi isso que lhe salvou a vida.
Entretanto, o fumo do incêndio, que alastrava, já quase asfixiava os sobreviventes, o que os obrigou a abrirem a porta para sair para o exterior. A turba uluante que se preparava para os exterminar foi então detida pela enérgica e decidida acção de Julieta Lopes que, como conhecedora dos costumes primitivos timorenses, se lhes dirigiu em alta voz, em tétum: Quétac óhó feto á labáric! Assim lembrando àqueles homens que na guerra não se matam mulheres e crianças, salvou a vida do desgraçado grupo.
Entrou a malta na casa e saciou o seu ódio disparando, ainda, tiros sobre os cadáveres, um dos quais feriu levemente no nariz, actuando de ricochete, o administrador Virgílio Duarte.
As senhoras e crianças sobreviventes dirigiram-se então, livremente, para a residência do administrador que, tal como todas as casas de Aileu, com excepção do quartel e a do comandante, não havia sido atacada pela coluna negra.
Manhã cedo, militares japoneses vieram do seu acampamento vistoriar Aileu e foram eles que encontraram os militares portugueses escondidos nos escombros do quartel da Companhia e o administrador Virgílio na casa do comandante.
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