«Bessa Almeida» Published on September 4, 2008
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COIMBRA CIDADE DO CONHECIMENTO...

Thursday September 4, 2008 at 11:41PM
Cidade universitária por excelência, por aqui passaram ao longo de séculos figuras notáveis nos vários domínios do conhecimento e do saber. Escritores, poetas, filósofos, artistas e políticos calcorrearam as ruas de Coimbra não sem que muitos deles deixassem nas suas obras a marca indelével da influência que Coimbra neles deixou. Como não lembrar um Stº António de Lisboa que aqui fez os primeiros estudos, um Luís de Camões, um António Ferreira, que abriram caminho a tantas gerações futuras.
Como não lembrar a célebre geração de 70, onde pontificou Antero de Quental que, numa célebre noite, nas escadas da Sé Nova, deixou maravilhado Eça de Queirós com as palavras que proferiu. E tantos, tantos outros como António Nobre que na Torre de Anto escreveu o seu “Só” ou Miguel Torga, que muitos não identificavam com o médico Adolfo Rocha quando o procuravam no seu consultório no Largo da Portagem.
E tudo isto se passava à margem da secular universidade que do alto da colina dominava pela imponência da sua compleição física e pela luz do pensamento que irradiava. Fundada por D. Dinis, com a colaboração do Prior de Stª Cruz de Coimbra e outros eclesiásticos, estabeleceu-se primeiro em Lisboa com o nome de Estudos Gerais. Em 1308, o mesmo D. Dinis transferiu-a para Coimbra e concedeu-lhe o “fórum” académico. Após um período de indefinição em que andou de Coimbra para Lisboa e vece-versa, em 1537, D. João III instalou-a definitivamente em Coimbra doando-lhe o Palácio da Alcáçova. Hoje, a parte primitiva constitui o Pólo I da Universidade, porque o progresso e o aumento exponencial dos seus alunos obrigaram a que a Universidade se expandisse para os Pólos II e III.
Transposta a Porta Férrea da antiga Universidade, aparece aos olhos do visitante a estátua de D. João III no meio do grande pátio, ladeado pela Via Latina que dá acesso à sala dos Capelos, pelo Claustro dos Gerais, a Torre, a Capela e a Biblioteca Joanina, mandada construir por D. João V e que contém cerca de um milhão de livros e três mil manuscritos, entre eles uma edição d”Os Lusíadas de 1572. Este conjunto arquitectónico de uma beleza ímpar está a preparar a sua candidatura a património da humanidade.

Hoje a Universidade não se confina à parte antiga da terceira mais velha universidade europeia. Acompanhando o avanço do saber em múltiplas áreas, os vários pólos universitários desenvolvem inúmeros centros de investigação e pesquisa, e muitos dos seus serviços, nomeadamente no campo da saúde, são internacionalmente reconhecidos pela sua excelência

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«Bessa Almeida» says:
COIMBRA MOMUMENTAL

Um percurso possível

O número de edificações classificadas como monumento nacional ou como imóveis de interesse público é impossível de enumerar. Um percurso possível entre vários a não perder poderá levar da Velha Alta à Baixa da cidade. Saindo da Universidade encontra-se na descida a Sé Nova, que fazia parte do Colégio das “Onze mil virgens” e foi edificada pela Companhia de Jesus. Aí ensinou entre outros Francisco Suarez.

Um pouco mais abaixo situa-se o Museu Machado de Castro, um dos mais ricos do país pelo seu recheio e que ocupa as antigas instalações do Paço Episcopal. No seu subsolo pode ver-se uma importante rede de galerias romanas. Célebre pela escultura de Nicolau Chantereme, Hodart e João de Ruão, o seu recheio conta com peças de ourivesaria riquíssima, algumas delas pertencentes à Rainha Stª Isabel.

Continuando a descida, vai surgir um dos melhores exemplares que se conhecem da arquitectura românica, projectado pelo arquitecto francês Roberto, e durante muitos anos Sé Catedral. Trata-se da Sé Velha. É notável a porta Especiosa na fachada lateral, exemplar da Renascença Clássica. Continuando a descida pela escadaria do quebra-costas vai o visitante encontrar o Arco de Almedina, uma das portas da cidade em cuja torre se encontra instalado o Museu Municipal. Já na Baixa, inúmeras hipóteses se colocam, mas é impossível deixar de visitar a Igreja de S. Tiago, templo românico que a tradição faz recuar ao tempo de Fernando Magno que , ao conquistar Coimbra em 1064, desejava construir um templo em reconhecimento pelo feito. E muito perto ergue-se o Mosteiro de Stª Cruz, fundado no tempo de D. Afonso Henriques por cónegos regrantes de Stº. Agostinho, em local já fora dos muros da cidade. Elevado à categoria de Panteão Nacional, alberga os túmulos de D. Afonso Henriques e de seu filho D. Sancho I.

Do templo inicial pouco resta, pois actualmente é uma construção manuelina iniciada no século XVI em que participaram os melhores artistas da época como Nicolau Chantereme, João de Ruão e Filipe Hodart.
Se o percurso puder ser prolongado, então porque não atravessar a ponte de Stª Clara para visitar do outro lado do rio os Mosteiros de Stª Clara-a-Velha e o de Stª Clara-a-Nova onde repousa o corpo da Rainha Stª Isabel?

Muitos outros itinerários poderiam ser propostos e todos eles de uma riqueza ímpar, que levariam à Igreja dos Olivais, ao Mosteiro de Celas, ao Palácio de Sub-Ripas, à Torre de Anto ou aos Jardins da Sereia, da Manga, ao Botânico, ao Choupal, à Lapa dos Esteios, aos Penedos da Meditação e da Saudade. Aqui justificava-se uma pausa para ler, gravados na pedra, os versos de tantos que passaram por Coimbra e aqui quiseram deixar um testemunho de amor e saudade.
Posted 14 months ago. ( permalink / translate )

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