Last coffins of useless surplus loads from the colonization that will be lost are being made aside

around the crates from other consumption loads abundant diverse and also surplus shit spreads with the wind

and the desolation of calcined and loose nails

and not burning papers

and perspiring bodies of the men that make the crates is so much that disturbs the indefinite ample nightfall.



Also indefinite my emotional stability in the afternoon that glides one of the last

and because I want to keep it inside angers me knowing I will forget it at the first resembling afternoon.



Right now the afternoon is mine forever

and a blue piece of paper flutters in the invisible air´s crest and my attention turns away from the blue scenery that is my farewell Guinea's sky.



Strained beams of light mystify the horizon's altar

and a tender breeze blows as a woman's caress in my last face.

Ao lado fazem-se os últimos caixões das cargas inúteis sobrantes do colonialismo que hão-de perder-se

e por ao redor dos caixotes feitos com madeiras de outras cargas de consumo a merda muita e vária e também sobrante alastra com o vento

e a desolação dos pregos calcinados e soltos

e dos papeis por arder

e dos corpos suados dos homens que fabricam os caixotes é tanta que perturba o indefinido amplexo do entardecer.



Indefinida também minha estabilidade emocional na tarde que me desliza uma das últimas

e porque quero conservá-la dentro de mim dá-me raiva de saber que a esquecerei à primeira tarde parecida.



Mas agora a tarde é minha para sempre

e um papel flutuando na crista invisível do ar desvia-me a atenção do cenário azul que é o meu céu da Guiné em despedida.



Há rectilíneos raios de luz coados em feixe mistificando o altar do horizonte

e sopra uma aragem terna carícia de mulher no meu último rosto.

by Armando TABORDA, in "MANUAL DO DESPERDÍCIO", Ceres Editora, 2008

(1st edition, 2008; 2nd edition, 2017)