Os teus braços que me abraçam
são como garras que me devastam.
Os teus longos e negros cabelos
reflectem a sombra solitária que em ti permanece.

O meu sol é o fogo de desejo,
que sobre ti te rege.
E o calor que te aquece
são os meus raios que te condenam.

As tuas mãos que se tremulam,
é cismo que me quebra,
e o suporte que te segura
é o meu corpo que se derruba.

És a escuridão que me afasta,
sou o pecado que te mata.
És a dor que me flameja
sou a ferida que te dói.

As lágrimas que derramas
é a minha sede de ti que me desvanece,
A chama que me acendes,
é o rastilho que te queima.

És a rosa brotada do veneno
sou o espinho cravado na tua alma,
és o verso em branco na poesia deserta
e eu sou o mundo inteiro que te nega!
Steve Clader