Os dias passavam, e a sina era sempre a mesma, naquele quarto ainda quente do calor dos corpos pela manha, num ambiente matinal.
Já gastos pelos anos mas com uma força de vontade enorme partilhavam ali o fim das suas vidas, um deitado na cama do hospital tivera um acidente e não se podia
mexer, o outro estava perto da janela, o único contacto que tinham com o mundo exterior.
Todos os dias aquele que estava junto da janela contava ao outro o que se ia correndo lá fora, a mulher grávida que atravessava a rua, o gato em cima do telhado, pormenor a pormenor.
Um dia esse tal homem acordou, olhou para o cama ao lado da janela e não estava lá o seu companheiro, perguntou por ele e ninguém respondeu, até que a enfermeira
chegou-se perto e disse-lhe... " Aquele senhor era cego, e tinha muitos problemas , não resistiu"
Ele, deitou a cabeça na almofada , fechou os olhos e pensou:
" Como pode um homem cego, levar-me a viajar durante todos estes dias por sítios que eu nunca conheci, como pode um homem cego dar-me a conhecer um mundo
que nem ele próprio consegue ver,dar-me a ver toda uma visão perfeita do mundo lá fora,imaginava, era isso que ele fazia imaginava enquanto viajava
e levava-me de mão dada com ele por esse mundo porque qualquer um de nós consegue viajar, nem que seja de olhos fechados."