O nosso “cartão de visita” é a nossa cara. Mas aquilo que realmente nos define, enquanto seres humanos, aquilo que é tão ou ainda mais importante que a nossa cara, é o nosso cérebro! Todas as caras, todos os cérebros são diferentes. Tudo isto porque a nossa cara é o resultado dos fenómenos genéticos que “arquitectam” o nosso corpo, fazendo-o único.

E enquanto o corpo sofre um processo de crescimento, o cérebro passa por um outro processo, o da individualização, evoluindo também de uma forma única. Porquê? É que à nascença, ao contrário de muitos seres vivos, o nosso cérebro é inacabado, passando por uma processo de amadurecimento bem mais lento que o dos outros animais, sendo por isso mais rápida a nossa aprendizagem face aos estímulos. E todas essas informações que acumulamos gradualmente, até ao fim da vida, pelas experiências que vivemos vão fazer parte do nosso cérebro. O que é importantíssimo, pois tudo isso que estiver contido no nosso cérebro vai definindo o nosso comportamento. Ou seja, o falar correctamente, o saber andar, o saber ser, é fruto da necessidade que temos de nos adaptar ao meio em que nos encontramos. O que se verifica devido à grande plasticidade do cérebro.

E é assim que mais uma vez nos distinguimos de outros seres vivos pelas nossas capacidades racionais. Enquanto que se um ser vivo for exposto a um meio hostil á sua sobrevivência, o mais certo será não sobreviver, pois não tem plasticidade para se adaptar, o Homem tem a capacidade de criar e assim adaptar-se. Um exemplo de adaptação do Homem é a construção de casas, para resistirem ao frio, à chuva, e viverem em segurança.

Importa referir que cada indivíduo passa pelo seu processo de individualização. Como tal, a minha experiência de vida não vai ser igual à de mais ninguém. Todos temos maneiras diferentes de sentir, de encarar a vida e além disso a inteligência de cada um não é estática: desenvolve-se, o que é um factor relevante para a adaptação de cada um às diferentes circunstâncias.

“O homem deve ser aberto ao mundo” : devendo estar disposto a aprender sempre, pois essa aprendizagem está na base de todo o seu percurso que se chama VIDA!! Há que querer saber mais, há que ter curiosidade sobre aquilo que nos rodeia, sendo dessa maneira que conquistaremos uma melhor qualidade de vida e por isso a felicidade! Se não tivéssemos a plasticidade cerebral que temos, seriamos apenas mais uns seres a lutar pela sobrevivência, e apenas isso, sendo essa a razão de existir. Mas nós podemos aprender, podemos construir, reflectir, sentir a realização de poder atingir a felicidade e por isso viver em busca do sentido da vida. No fundo, queremos aprender a ser felizes…

Somos muito mais que um padrão genético! Somos a junção do físico (corpo geneticamente “arquitectado”) e do psicológico (capacidades racionais que passam pela plasticidade do cérebro). Então procuremos a felicidade! Procuremos dar sentido à Vida!!Despertemos em busca do mundo, que tanto tem para nos oferecer! Somos parte da Natureza! É natural a vontade de nos realizarmos como Ser que somos! Congratulemo-nos com o facto de poder sorrir, e mais ainda, poder fazer sorrir…