Não existem duas pessoas com a mesma cara. Quando era mais nova isso fazia-me uma certa confusão, como poderia ser possível que em tantos milhares de anos de existência humana, não tivesse existido ninguém igual a ninguém? Esta pergunta perseguia-me, esta e como é que ainda conseguiam inventar músicas diferentes de todas as outras músicas se o número de notas era limitado? Com o tempo aprendi que características não representam nada sem que haja uma ordem, é a ordem das notas que define a música que estas formam, a adicionar à ordem, vem o ritmo, e mesmo assim a mesma música tem várias versões dependendo do instrumento que a reproduz. É o que se passa com a cara de uma pessoa, os genes definem a sua forma, o ambiente modela-a, as expressões caracterizam-na. Nem os gémeos verdadeiros, que partilham os mesmos genes, têm caras completamente iguais, quanto maior a idade dos gémeos mais acentuadas são as suas diferenças, ou porque um se ri mais que o outro e por isso a sua expressão é alegre, ou talvez por que um teve varicela e ficou com uma marca na cara.

Passa-se exactamente o mesmo com o cérebro. Se pensarmos bem não há nada que possa ser reproduzido na perfeição, não escrevemos a mesma palavra duas vezes da mesma maneira, não passamos duas vezes pelo mesmo momento, quando vou às aulas de Código apesar de ir a aulas sobre temáticas que já foram leccionadas, as aulas nunca são iguais, porque nós não somos máquinas, e como tal, o nosso cérebro não reproduz, o nosso cérebro produz. E tudo pode influenciar o que o nosso cérebro pensa, e manda o corpo fazer, tudo o que nos rodeia estimula o cérebro a efectuar respostas.

Não concordo totalmente com o conceito de tábua rasa, acho que algumas das nossas características mentais nascem de facto connosco, fazem parte dos nossos genes, talvez mais as características fisiológicas que as mentais, se bem que este dois tipos vivam sempre interligados, já que as hormonas influenciam as nossas atitudes e algumas das nossas atitudes podem fazer libertar as hormonas influenciando o nosso cérebro. Por outro lado, as nossa vivências definem-nos, moldam-nos, as pessoas que conhecemos, a cidade em que vivemos, os amigos que escolhemos, sim, porque na evolução do nosso cérebro entra essa parte essencial - o raciocínio. Através do raciocínio, podemos controlar praticamente todas as nossas emoções e escolher entre uma forma de encarar o mundo e outra. É como costumo dizer: A felicidade é uma escolha.