É difícil pensar no inicio, no nada, na criação, são demasiadas perguntas sem resposta, ou respondidas por uma qualquer teoria puramente especulativa. A verdade é simples, não sabemos de onde viemos, nem tão pouco para onde vamos. Podemos arrogantemente tentar controlar a Terra e ambicionar o espaço, porém o Homem, em toda a sua grandeza, ainda não se deu conta da sua pequenez. Quase todos os dias odeio a minha espécie tanto ou mais do que a amo.

Somos um eterno projecto inacabado, em busca constante pela perfeição, lembro-me de uma frase de um filme onde o homem é descrito como um ser a quem arrancaram um pedaço do coração e por isso tenta exasperadamente preencher o vazio com poder. Por maior que seja o cansaço nem o Homem como humanidade, nem o homem como individuo, algum dia deixará de caminhar nesta bolha caleidoscópica que é a vida.

Sim, somos viajantes, não só no Mundo em termos evolutivos, como também a nível pessoal e psicológico, não temos personalidade fixa, podemos ter alguns traços que definem a forma geral do nosso carácter, mas estamos em constante mudança e aprendizagem, afinal de contas não estamos sozinhos e somos constantemente influenciados quer consciente ou inconscientemente, pela positiva ou pela negativa, por aquilo e aqueles que nos rodeiam. Como qualquer viajante a nossa bagagem persegue-nos, é-nos tão essencial quanto dispensável, por vezes torna-se tão pesada que cada dia de viagem parece um ano, e queremos ceder, desistir, mas não podemos, não temos poder para tal, por mais que o Homem o deseje a morte tal como a vida não são controláveis. Recuso-me contudo a acreditar que a bagagem defina o viajante, o passado por mais doloroso e marcante que seja, não define a pessoa que decidimos ser no presente e trabalhamos para ser no futuro, isso, na minha opinião depende apenas de nós. A nossa capacidade de distinguir o que é melhor para nós supera o que as emoções podem fazer à razão. Afinal não é isso que nos torna tão especiais aos nossos próprios olhos? A nossa racionalidade?

O Homem não faz turismo ecológico, obviamente. Um viajante com a nossa categoria não tem de se preocupar com os viajantes de “menor” categoria. Às vezes só queria que o Homem fosse expulso do hotel de luxo por destruição de propriedade global.