É um facto, mude eu para que canal mudar a minha visão é sempre a mesma: mulheres bonitas, exibindo-se, mostrando ao telespectador uma imagem e não uma ideia. Já lá vão os anos em que a inteligência e talento eram os requisitos mínimos para conseguir ter uma carreira bem sucedida em televisão, hoje em dia, o único requisito é ser portadora de um corpo dito atraente.
Um exemplo deste fenómeno é o audiovisual. Para começar, as actrizes de televisão e cinema deixaram de ser mulheres que durante anos tiveram como treino o palco, para passarem a ser as manequins exageradamente magras de uma qualquer agência de modelos. O resultado está à vista em produções como os morangos com açúcar – falta de qualidade. Realmente, os morangos com açúcar vêm muito a propósito da situação, já que, tendo como público-alvo os mais jovens, lhes incute a ideia de que para se ser amado e aceite se deve ser de uma certa maneira, mostrando-lhes que os “fixes” são os magros, já que na série até os ditos gordos são mais magros que a maioria das pessoas “reais”. Ao assistirmos a um qualquer programa podemos observar que apresentadoras são todas atraentes, sendo escolhidas não por fazerem um bom trabalho, mas apenas porque a sociedade actual prefere olhar durante uma hora ou mais para alguém bonito, do que ouvir uma conversa realmente interessante.
Agora pergunto-vos: é neste mundo que querem que os vossos filhos sejam educados? Querem que eles pensem que a aparência se sobrepõe à inteligência? Num mundo de pseudo bombas sexuais, de cabelos loiros platinados, mamas irrealmente grandes e pele laranja – resultado de horas no solário e dos quilos de base que todas as manhas põem naquelas caras –, onde é socialmente mais importante ter uns Manollo Blaniks ou uma Fendi, do que um curso superior, as mulheres, outrora afastadas do poder pelos homens, deixam que sejam novamente eles a ditar as regras, já que, se anulam, preferindo fazer o papel da loira burra.
É imperativo que nós, jovens mulheres, tentemos mudar esta situação, para que o mundo finalmente perceba que as mulheres são capazes das mais variadas coisas, que não são só adornos que o homem usa para mostrar o quão bom é, mas seres humanos competentes que querem fazer a diferença não por o que são, mas por quem são. E que para nós é realmente mais importante a fome em África ou a guerra no Iraque, do que a ultima colecção da Versace.