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A casa vazia


O quarto permanece na penumbra como que indiferente ao tumulto para lá da cerca.

Os espelhos reflectem a cor verde azulada dos olhos misteriosos da sombra vagando no espaço imenso lembrando o eco de vozes rindo ao som do piano mudo.

E nas noites onde o vento não sopra desejos veementes dos fantasmas adormecidos dum amor louco vivido... nas paredes longas do quarto comprido, madeixas de cabelo outrora acariciados por mãos aladas caladas, silênciosas, hoje apenas nos fantasmas adormecidos!

No toucador perfumes se misturam com boiões de creme que perfumavam o corpo esbelto deitado em leitos de fantasia onde o sonho dormia.

Nos móveis onde o pó se cruza com o tempo, pedaços de papel onde pouco se pode ler e ver todo um tempo por ali passado, na varanda encostado o vulto esguio, os olhos cor de mel, peito arfante gigante de amor dardio esperam o entardecer...


E no entardecer sobre rimas de papel amarelado, sonhos amarfanhados dispersos, misturando-se com o perfume de cravinas coloridas em jarras onde pensamentos trãnsparentes deixam passar um grito de vida...

É manhã de alegre chilrrear no encosto envidraçado de sonhos emoldurados deixam passar suspiros de noites longas de caricias anseadas.

E nos olhos cor de mel o adocicar do beijo esperado no quarto vazio onde músicas suspirando entoam melodias de Primavera!

Desce até á praia, e se espraia no imenso areal enquanto espera a visão que a virá buscar para o passeio por entre algas e estrelas do mar!



São Percheiro

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