O desporto actual, baseado apenas no rendimento a qualquer preço, numa busca de consumo sem sentido e estruturado numa perspectiva meramente economicista, subjugando os valores do homem a uma gestualidade e uma motricidade instituída, padronizada e sem significado, entrará rapidamente em crise de sobrevivência. O desporto deve antes de mais reinventar e reinventar-se, a partir dos grandes princípios que o originaram: a convivência e solidariedade entre os homens e os povos; a formação cívica ao longo da idade, o desenvolvimento das capacidades físicas e motoras de um corpo adaptável e crítico ao seu envolvimento social, e principalmente, a valorização da sua capacidade cultural em “confronto” civilizado. As novas práticas desportivas também chamadas de “radicais” poderão ser um sinal positivo de mudança e complementaridade ao desporto “convencional” dos nossos dias. O desporto de alto risco poderá ser equacionado como uma perspectiva alternativa de grande significado para a visão humanista da educação física, considerando o seu valor potencial de experiências que favoreçam o crescimento pessoal, interacção e mudança social.

No entanto, e paradoxalmente, são já evidentes algumas descaracterizações destas actividades, quando sujeitas a sistemas de organização competitiva em moldes discutíveis quanto aos princípios que vêem sendo descritos.

Nós perguntamos agora, porque é que consideramos o desporto como uma forma de globalização? Mesmo pela razão de o “desporto” existir em vários países e captar a atenção de várias culturas. Os mais famosos desportos, em destaque o futebol na Europa, tem em consideração milhares de atletas de várias nacionalidades e, em muitos casos, jogam em países para além do seu país nativo. As transferências de jogadores, as competições nos continentes (exemplo: Liga dos Campeões, Liga Europa) e também as competições internacionais (exemplo: Europeu, Mundial) são organizações que têm sempre presença de várias culturas, especialmente o Mundial pois aí engloba os países dos 5 continentes.