Ser independente será eventualmente o objectivo de todos nós, seres humanos que respiramos e lidamos com o mau humor e luxurias de um chefe que nos impõe as suas opiniões e ideias, e nos utiliza como cobaias para as mostrar em público. Quantos de nós não cos qustionamos sobre a eventual opção de encarar a vida como independentes, sem estar dependente das ordens de alguém. Afinal de contas, e considerando que todos os que lêm já não habitam com os pais, ou se sim, o fazem de forma circunstancial; a opção de ser independente já nos passou uma vez. Da mesma forma que um dia dissemos em vós alta: "Eu vou morar sozinho (ou acompanhado), e a partir de agora defino eu o meu futuro.", também agora questionamos se não será essa a opção a fazer...

A verdade meus amigos, e falando da experiência de quem á mais de um ano é independente (ou julgava eu), é que na vida, vivida em sociedade, todos dependemos uns dos outros, mesmo que não tenhamos consciência disso. Pergunto, do que seri de nós se o padeiro deixa-se de trabalhar?

Quando á um ano optei por ser profissional liberal, confesso-vos que me senti livre. Afinal de contas a opção tomada, permitia-me trabalhar á minha velocidade e qualquer opção sobre o trabalho passava exclusivamente por mim. Contudo, devo confessar-vos que quando falei sobre esta opção de vida com um amigo, ele para além de me dar os parabéns, falou-me de coragem e de que o país precisava de mais pessoas corajosas como eu! Confesso que não percebi nada do que me disse na altura, mas como cada uma tem a sua panca, achei que não valeria a pena aprefundar a questão. Ainda assim, aquelas palavras nunca me sairam da cabeça, como espécie de fastasma que nos atormenta nos momentos menos próprios.

1 ano depois, consigo perfeitamente compreender tais palavras sabias, só ao alcance de quem já dependeu apenas de si para ganhar a vida...

Tenho um outro amigo, que na fase inicial de profissional liberal me aconpanhou que tinha outra filosofia. Dizia ele e om razão, "o freelancer não tem horario. Coordena os seus horários em função dos tempos dos outros". E também aqui existe razão, pressupondo já alguma dependencia.

É verdade. O ser autónomo é relativo, e estamos sempre dependente dos outros.

Ou porque nos dão trabalho, ou porque temos que nos adaptar a si para trabalhar, ou por isto... ou por aquilo...

Ser profissional independente é um acto corajoso, porque todos os dias temos que conquistar os nossos clientes e quem nos dá trabalho. Acrescido a isso, temos ainda que diariamente competir com a concorrência que aparece abruptamente do nada, mas que de forma legítima tenta conquistar o seu espaço, á semelhança daquilo que um dia também fize-mos.

E é nesta guerra diária, sem espaço para frustrações ou desilusões que o freelancar vive, sedento de trabalho que lhe permita ser independente (ou supostamente...), contribuindo para o crescimento profissional e pessoal, buscando no dia a dia, aquilo que procurou um dia ter.

Não julguem pelas minhas palavras que estou arrependido ou desiludido com a opção tomada, não. Estou é agora, totalmente consciente, da resposabilidade de tal opção. E digo-vos, para quem não tem tomates, qualquer lugar nas finanças ou segurança social é bom, para quem os tem, ou trabalha para o privado ou é independente!

Abraço,

FP | 2-10-2007 | Lisboa