"CIDADELA

Guardo-te
as ruas desertas,
as praças vazias,
os meus pensamentos.
Minhas feridas abertas,
as noites, as vinhas
desejos, tormentos

Amo-te
o leito macio,
a brisa exalada
das tuas entranhas.
Os teus odores, carícias,
as róseas delícias,
as noites e as manhãs.

E busco em tua floresta,
a fonte, a flor, o jardim.
Bebo-te e a rosa floresce,
o cheiro bom, carmesim
Mergulho em teu poço aberto,
a alma entregue, festim!

Certo do teu regozijo,
teus gritos, teus risos,
te entrego o que é teu.
Sigo trilhando o caminho esquecido,
lembro-te os cantos perdidos,
tuas fontes de puro mel,
e me agasalho de ti.

E, quando a noite,
cansada dos teus desvarios,
se entrega a Morfeu,
languidamente tu´alma seduz,
teu colo/abrigo embriaga minh´alma
e me conduz
ao teu abraço outra vez.

Retorno à tua floresta,
à fonte, à flor, ao jardim,
percebo-te, olhos espertos,
as faces rubras, carmim!
me afogo em teu poço aberto,
és vida e vives em mim."