Alberto de Oliveira O PRÍNCIPE ALBERTO E SUA POESIA
Neide Barros Rêgo (*)

Boa tarde a todos. Sejam bem-vindos!

Há quinze anos, quando o telhado deste espaço era de amianto; o forro, de isopor; o piso do palco, de cimento; a parede branca, chapiscada; o piano, outro, bem antigo; e as cadeiras, de ripas de madeira... Quando muitos de nossos amigos e confrades ainda não tinham virado saudade, este auditório, que até então não possuía ar condicionado e era conhecido por Salão de Cultura e Arte Maria Sabina, enriqueceu-se com a presença de artistas e intelectuais.

Na longínqua noite de 31 de maio de 1992, realizamos um recital que intitulamos “O Principado da Poesia Brasileira”. Quatro poetas foram homenageados e tiveram suas biografias apresentadas por acadêmicos. Franci M. Darigo discorreu com brilhantismo sobre Olavo Bilac, o primeiro a ser eleito Príncipe dos Poetas Brasileiros; Manita apresentou o perfil de Alberto de Oliveira, sucessor de Bilac; o inesquecível desembargador Abeylard Pereira Gomes contou fatos importantes e bonitos a respeito de Olegário Marianno, que sucedeu a Alberto de Oliveira; e o saudoso poeta Armando Vaz fez um belo resumo biográfico de Guilherme de Almeida, o último dos príncipes. E nós – declamadoras diplomadas, alunos de arte de dizer e poetas convidados – interpretamos poemas dos quatro.

Cada príncipe teve o centenário de seu nascimento comemorado com palestras, lançamentos de livros e recitais de poesias. No de Alberto de Oliveira, em 1937, eu ainda não era nascida. Olavo Bilac foi homenageado, em 1965, no Salão Nobre da Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro, com um recital organizado por minha professora, a poetisa Maria Sabina, no qual declamei. Para Olegário Marianno realizamos, em 1989, um recital neste salão. Em 1990, apresentamos dois recitais de poesias de Guilherme de Almeida: um na Fundação Municipal de Educação e outro no Teatro do SESC.

Neste recinto, atualmente denominado Centro Cultural Maria Sabina, celebramos hoje os 150 anos de nascimento de Alberto de Oliveira. Não é esta, porém, a primeira homenagem que o poeta recebe no correr de 2007. No dia 27 de abril, por iniciativa do Cenáculo Fluminense de História e Letras, da Academia Niteroiense de Letras, do Instituto Histórico e Geográfico de Niterói e da Academia Fluminense de Letras, na sede desta, foi proferida pelo seu presidente, Edmo Rodrigues Lutterbach, uma conferência que recebeu o título de “Sesquicentenário de nascimento de Alberto de Oliveira”.

Naquela tarde, choveu bastante. Muitas pessoas não puderam comparecer. Então, algumas sugeriram que a conferência fosse repetida. E o CCMS abriu suas portas para realizá-la, um mês depois, no dia 24 de maio.

Posteriormente, em 3 de agosto, no Rio de Janeiro, o mesmo conferencista, Edmo Lutterbach, reapresentou-a na Academia de Letras Rio – Cidade Maravilhosa, da qual é ele membro da Classe de Correspondentes. Estiveram presentes personalidades de Saquarema, cidade natal de Alberto de Oliveira.

Nos três eventos, tivemos a presença da sobrinha-bisneta do homenageado, Ângela Stefanelli. Em todos tive a honra de participar, declamando “A casa da Rua Abílio” e “A história de Carmen”.

Aproveito para informar que o lindo poema “A história de Carmen” foi traduzido para o esperanto pelo poeta Sylla Chaves e está publicado na antologia “Brazila Esperanta Parnaso” (Parnaso Brasileiro de Esperanto), organizada por mim e por Sylla, lançada no mês de julho último, durante o 42º Congresso Brasileiro de Esperanto, realizado no Rio de Janeiro, na SUESC.

Nomes de 178 poetas brasileiros, entre eles Olavo Bilac, Alberto de Oliveira, Olegário Marianno e Guilherme de Almeida, chegarão a mais de cem países. “A história de Carmen” também está incluída, em português e em esperanto, na antologia bilíngue “Poesias Escolhidas do Brazila Esperanta Parnaso”, cujo lançamento será feito em Niterói, no próximo ano.

Nesta noite teremos a oportunidade de exibir um trecho da filmagem do recital “Principado da Poesia Brasileira”, realizado, repetimos, em 31 de maio de 1992, em que Manita, durante 13 minutos, traça admiravelmente a biografia de Alberto de Oliveira e declama “Elegia”, poema do qual é autora e que encerrou seu discurso de posse, em 28 de outubro de 1976, na Cadeira nº 2, patronímica do poeta, na Academia Fluminense de Letras.

Hoje não haverá palestra. Edmo Lutterbach preparou, a meu pedido, alguns dados do fluminense de Saquarema que homenageamos com o recital “O Príncipe Alberto e sua Poesia”. O resumo biográfico se encontra na quarta página do programa.

A seguir, conforme consta na Primeira Parte da programação, ouviremos a palavra do jornalista e editor da Nitpress, Luiz Augusto Erthal, que fará a apresentação do opúsculo de autoria de Edmo Rodrigues Lutterbach: Alberto de Oliveira, o Príncipe dos Poetas.

Na Segunda, Ângela Stefanelli lerá dois sonetos, escritos por Olegário Marianno imediatamente após a morte de nosso homenageado, e a acadêmica Alba Helena Corrêa declamará um de autoria de Amélia de Oliveira (irmã de Alberto e eterna musa de Bilac).

Na Terceira Parte, teremos a apresentação de poemas de Alberto de Oliveira, por alunos do Curso Maria Sabina, declamadores diplomados e pelo acadêmico Edmo Lutterbach, um dos pesquisadores da vida e da obra do bardo de Saquarema, nascido em 1857. Dizem que ele era um dos homens mais elegantes de seu tempo: alto, cabeleira farta, bigodes bem tratados, educação esmerada, voz grave e bela, magnífica postura e alma de poeta. Sua eleição, pelos intelectuais, para o título de “Príncipe dos Poetas Brasileiros” ocorreu em 1924, quando o vate contava 67 anos.


Concluindo, agradeço às minhas colaboradoras Lenize Vasconcelos, Fabiana Latgé, Myldred de Almeida e Gracinha Rego; à imprensa e a todos que se uniram a nós nesta homenagem a Antônio Mariano Alberto de Oliveira, em 21 de outubro de 2007.

Após o recital, teremos um coquetel de confraternização no andar térreo. Estão todos convidados.

(Palavras de Neide Barros Rêgo, 21 de outubro de 2007, no Centro Cultural Maria Sabina, em Niterói)

* Integra a Academia Fluminense de Letras (Classe de Belas-Artes); a Academia Barbacenense de Letras (Cadeira nº 37, patronímica de Maria Sabina, Classe de Correspondentes); a Academia Niteroiense de Letras (Cadeira nº 38, patroneada de Raul de Leoni), a Academia Nacional de Letras e Artes (Cadeira nº 39, cuja patrona é Maria Sabina) e outras nos Estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Espírito Santo, Paraná e Minas Gerais. Membro Honorário do Cenáculo Fluminense de História e Letras e do Instituto Histórico e Geográfico de Niterói.